Ela tinha pouco mais que 5 aninhos,
E estávamos num restaurante da cidade onde íamos todas as quintas-feiras para comermos, rirmos , nos reunir com os amigos e cantar no karaokê, coisa mais gostosa do mundo, que não sei por qual razão caiu em desuso.
Ela corria pra tudo quanto é canto, e como se cansou, pediu que fôssemos embora.
-Não vamos não! Tá cedo ainda e hoje é meu dia de brincar!
Ela olhou bem pros meus olhos e sorriu. Ela me via. E conhecia muito bem a menina que vivia brincando com ela, toda suja de terra e areia e cheirando a biscoito, que só ia embora quando a mãe tinha que entrar em cena.
Alguém me pediu pra cantar duas músicas. Lembro-me que eram “Asa Morena” e “Foi Deus que fez você”.
Reparei enquanto cantava, que ela parou , assim, com um brinquedo nas mãos e ficou me observando.
Quando terminei, fui ter com ela.
Sentei no chão, como costumava fazer naquela época, para estarmos sempre no mesmo nível , desprezando os olhares de estranhamento que as pessoas ditas normais lançavam sobre nós e ignorando o que pensavam a meu respeito, pois sei que pensavam. Sempre pensam.
-Mamãe, canta a múzca da casa?
-Agora mamãe já cantou 2 músicas, vamos esperar as pessoas cantarem e logo logo eu canto, ok?
-Então fica na fila.
-Não precisa, meu anjo.
Chegou minha vez, e antes de cantar, eu disse:
-Essa música vai para a pequena criatura que é dona da minha casa, a Princesinha do meu castelo!
Cantei e voltei a ela:
-Pronto, gostou? Eu cantei só pra você!
-Mãe, o que significa “esmero” ?
Explicar certas palavras a uma criança requer uma certa sabedoria...Pensei, analisei a idade mental e cronológica, e disse:
-Esmero significa cuidado, atenção, capricho! Sabe quando a mamãe te diz pra escrever mais redondinho, mais caprichadinho?
-Sei
-Sabe quando você vai pintar um desenho e te falo pra tomar cuidado pra não pintar pra fora do contorno?
-Sei
-Então. Tudo isso é esmero! É ter atenção e carinho com as coisas que fazemos, entendeu?
-Entendi.
Fiquei observando aquela pouca coisa, que revirava o brinquedo entre os dedos, com os olhos distantes e tentava imaginar a que distância era capaz de ir o pensamento de uma menininha daquele tamanho, até onde aquela mente alcançaria e o que exatamente ela estaria pensando naquele momento.
-Mãe, posso te pedir a bênção?
-Mas agora?
-É, mamãe.Agora.
-Pode, meu anjo!
-A bênção, mamãe.
-Deus te abençoe, filha.
-Mãe?
- Oi.
-Sabe o que eu to pensando ?
-Não, o que você está pensando?
-Você é uma mãe feita com muito esmero.
O casal sentado na mesa ao lado, não se conteve. No sábado da mesma semana, publicou no jornal da cidade um texto contando o acontecido.
Não sei se ainda tenho guardado, mas prefiro a minha versão e falar sobre isso me inunda de orgulho e felicidade...
( Filha, essa foi pra você , que como uma pisciana infinitamente carente, me cobrou que eu falasse mais de você por aqui.)
Te amo.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
CHICO
“A história de um homem não cabe em um filme”
Ontem finalmente assistimos Chico Xavier.
O filme já começa quebrando tudo.
Vemos uma criatura que caminha entre dois mundos com a maior naturalidade que lhe é possível. Recebe
o carinho da mãe falecida, e por ser muito menino, sofre com as agruras da difícil vida que leva e o tormento que é ter um dom e não saber o que fazer com ele.
Sempre foi incompreendido, criticado , zombado, tendo que exercer desde muito cedo, o difícil exercício da humildade.
O filme não tem a pretensão de arrebatar novos seguidores da doutrina espírita, nem de provar nada a ninguém. Nem mesmo Chico teve essa pretensão.
Sua vida foi pautada por sacrifícios.Um homem que renunciou a própria vida pelo bem do seu próximo. Um homem que não cabia dentro de si.
A espiritualidade de Chico lhe era algo tão inerente, que ele não teve escolhas. E mesmo que tivesse, não teria pensado nelas.
Mais do que qualquer coisa, o filme fala do poder transformador da bondade, do exercício quase físico da humildade, de ver no outro, o melhor que reside nele.
Chico Xavier era luz e caridade.
Uma coisa que a gente vê e se emociona.
Mas muita gente com certeza vai criticar o filme. Afinal, a gente olha, e ao analisar, inevitavelmente concluímos que somos criaturas cheias de falhas, orgulho, soberba, amor próprio exacerbado, sempre pensando que devíamos ter mais do que temos, sempre pensando que nossa dor é maior que a do nosso irmão, sempre nos julgando sim, melhores que os outros.
Chico era um guia espiritual, um facho de luz em meio às trevas. Um ícone, incomparável.
Mas porque não concluir que cada um de nós tem em si a capacidade para exercitar o bem?
Infelizmente é mais fácil venerar o brilho do diamante lapidado do que lapidar a pedra bruta em nós.
Assistir Chico Xavier faz com que reflitamos o quanto é necessário nos reconstruirmos todos os dias e sempre mais e mais. Nos faz pensar na capacidade que existe dentro de cada um de nós de sermos melhores, de praticarmos o altruísmo, de ver a beleza em todos os lugares, mesmo onde ela não exista.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
LIGA, LULA!
EI, VOCE QUE ENTROU AQUI PRA LER ALGO LEGAL OU SÓ PRA XERETAR, APROVEITE E PRA NAO PERDER A VIAGEM, ADICIONE VOCÊ TAMBÉM ESSE LINK NO SEU BLOG, NO SEU JORNAL, NA SUA COLUNA, NO SEU TWITER, NO SEU ORKUT, NO SEU MSN! SOMOS TODOS ORGÃOS DE UM MESMO CORPO, SOMOS TODOS FILHOS DE UM MESMO DEUS, SOMOS TODOS MORADORES DE UM MESMO PLANETA.
ESSE MUNDO, É NOSSO! TOMEMOS POSSE DELE!
O HOMEM NAO SABE A FORÇA DE UMA CORRENTE.
É LEGAL FALAR DE VIAGENS E FESTINHAS, MAS A VIDA É MUITO MAIS QUE ISSO.
VAMOS, DEIXE DE BOBAGEM, JUNTE-SE E MOSTRAREMOS DO QUE SOMOS CAPAZES.
EU AINDA NAO PERDI A FÉ NA HUMANIDADE.
SERÁ QUE DÁ PRA CONTAR CONTIGO?
quinta-feira, 22 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
FLORES PARA MINHA AVÓ
Um velório de alguém querido, numa tarde praticamente sem sol e eu com uma malha fina, despreparada para a mudança de temperatura.
À noite, ao retornar pra casa, sentia o corpo dolorido, a cabeça pesada e não tinha ânimo sequer para tomar um banho quente, um bom analgésico e me deitar embaixo das cobertas.
Criei forças e entrei no chuveiro , afinal, banho é um dos maiores luxos que desfrutamos sem nem ao menos nos darmos conta .
Entrei embaixo das cobertas e comecei a chorar.
Ele ficou preocupado, quis saber o que se passava, afinal eu não ia chorar por sentir frio ou dor de cabeça.
-Eu quero a minha avó. Não quero que ela morra, não quero...
-Mas sua avó está bem, Xú!
-Não, ela está velhinha e logo vai embora, eu sei...
-Não, Xuxú, sua avó é forte, espere aí que vou te preparar um leite quente.
Lembro de tudo, toda a minha vida foi permeada por ela e por meu avô.
Desde que minha memória consegue alcançar, lembro -me que dormia com ela, em sua enorme cama de imbuia toda trabalhada em rococó.
Acordava-se cedo, vovô ia cuidar dos pescadores, abrir as peixarias, levar peixes pro Ceasa...
EU sempre acordava junto e pedia que ele me trouxesse uma asa de anjo, para que eu pudesse enfim voar. Mas ele sempre enfrentava contratempos espetaculares e nunca conseguia comprar a tal asa.
E para me consolar da falta de asas, ela me trazia o leite na cama.
Se eu tinha tosse, lá ia ela, preparar o leite quente com açúcar queimado...
Quando eu tinha algum desarranjo, (hoje chama-se virose), ela fazia purê de batata e se eu não queria comer coisa alguma, ela preparava aquela panelada de costelinha de porco , arroz, feijão e batata frita.
E tinha uma panela preta, que não sei explicar como é que era, mas eram dois lados que se encaixavam e lá ela colocava pão com manteiga e ficava virando a panela de um lado pro outro, de modo que o pão ficava uniformemente torradinho.
Pão torrado com café preto.
Bolinho de chuva. EU ficava sentada, olhando extasiada, como pode ela ter aprendido essa mágica de fazer uma coisa virar outra? Aí, como se já não estivesse bom, ela jogava açúcar e canela por cima. Nem precisava chover... Era lá, o meu paraíso, o meu lugar de paz...
Ela fumava cigarro de palha. ...Esses dias fui ao mercadão e senti o cheiro de fumo de corda.
O cheiro da minha avó!
Cheiro é uma coisa incrível, né? Cheiro nos transporta!
Eu tinha bronquite e algum cabra desses bem safados, inventou de dizer que gordura de capivara curava qualquer bronquite. Tinha que ser dado pela manhã, junto com um pouco de café,que era pra ” enganar o gosto da gordura”. Como se alguma coisa no universo tivesse esse poder, de enganar o gosto da tal da gordura de capivara. Esse foi um dos motivos de eu não gostar de acordar cedo. Na verdade, eu queria era não ter que acordar nunca, pois acordar estava diretamente ligado àquele copo enorme de café com capivara. Mas como não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe, finalmente foi proibida a caça às capivaras e aquele foi um dia de festa, uma festa dentro de mim!!! Mas de todo modo, nunca mais tive bronquite.
Um dia, eu estava muito doente, (eu sempre estava doente, repare) com pouco mais de 6 anos, e lembro que por causa da nefrite, fiquei meses e meses sem comer sal e proteína. Fomos para uma cidade vizinha, maior e com mais recursos que a nossa, levar os exames pro médico ver. Ele leu tudo e me perguntou:
-O que você mais gostaria de comer agora?
-Carne de porco e batata frita e coca cola e sorvete de chocolate e Milk shake só se for servido naquele copinho que tenho da festa do sorvete.
-Só isso?
-Só.
Ele olhou pra elas e disse:
-Levem ela pra casa, e deixem que ela coma tudo o que tiver vontade de comer. É só isso o que vocês podem fazer por ela.
Acho que médico pensa que criança é tonta, né? Claro que entendi o que aquilo queria dizer. Mas não deixei de ficar feliz pela possibilidade de sentir o gosto da carne, da batata e da coca cola mais uma vez que fosse.
Enquanto minha mãe tentava disfarçar algumas lágrimas, minha avó se levantou, olhou pro relógio e disse:
-É cedo ainda. Saindo daqui agora, em duas hora estaremos em Bauru, e lá conheço um médico ótimo. Vamos, se levantem, temos que ir!
E foi assim que ela salvou minha vida.
Salvou a mim, amparou suas filhas, seus genros, seus netos....tooodos eles, todos!
Meu avô não teria conseguido passar a vida ao lado de uma mulherzinha. Tinha que ser exatamente como ela era, a fortaleza inabalável que ela era,uma mulher que não se enjoa e nem se cansa, pra poder fazer par com ele.
Verdadeiros Lampião e Maria Bonita de minha vida.
Ela, junto a ele, foi envelhecendo sem que déssemos conta disso.
Lembro de como era engraçado ficar naquele sofá da sala entre os dois, ouvindo a conversa acerca dos programas de TV. Ela explicava uma coisa, e apontava pra TV com aquele dedo indicador torto por causa da artrite , e conforme apontava pra TV, seu dedo indicava a porta da rua. Ele olhava, olhava, e como não ouvia direito, menos ainda entendia quando ela falava olhando pra TV e apontando pra porta da rua. Era um diálogo engraçadíssimo.
Ela se aborrecia por ele não entender e ele se aborrecia por ela não explicar direito.
-Você tá surdo, Américo!
-Pois deixa de ser besta, mulé!
-Eu to falando do Silvio Santos, olha na Mao dele, o maço de dinheiro!
-E eu to olhando! Lá fora, não tem nenhum verdureiro! Aaaaaara !Deixa de ser abestada!
-Seu avô tá caduco, tá vendo?
Eles se amavam tanto...Agora entendo isso. Ninguém consegue ficar uma vida toda junto, brigando, discutindo, divergindo, e sempre, sempre juntinho um do outro se não tiver amor demais.
Foi difícil pra ela. Muito mais pra ela do que foi pra todos nós, quando ele partiu.
Mas como não se tem outro jeito, ela continuou vivendo...
Hoje ela já não fuma mais seu fumo de corda, anda muito pouco e usa fraldas.
Todos nós juntos nunca daremos conta de fazer por ela , oque ela fez por cada um de nós.
Se eu choro? É claro que choro.
Estamos longe uma da outra e queria poder segurar suas mãos, como ela segurou as minhas.
E ainda queria ouvi-la dizer que pra tudo dá-se um jeito.
Queria poder mergulhar no seu mundo de contos e histórias de comadre e bolinhos de chuva e esquecer de tudo!
Como posso não chorar, sabendo que um dia ela não estará mais por aqui?
Ah, minha vozinha, essas linhas são pra você. Pra ficar registrado o quanto eu te amo.
Eis aqui as minhas flores pra senhora.
Receba-as e sinta seu perfume agora, que ainda estamos todos aqui.
Porque depois que você se for, eu não terei mais inspiração e
Sei que vai demorar muito pras flores voltarem a crescer no meu jardim...
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Tróia
Lívia está crescendo, e em meio a tantas dificuldades que permeiam educar sozinha uma filha de 11 anos de idade, vejo que existem também, momentos que compensam tudo.
Assistimos Tróia .
Ela, pela primeira vez, pelo interesse aguçado pelo professor de história.
Descobri que temos mais em comum do que o gênio indomável , alguns traços na face e o jeito de chorar.
Ela também sucumbiu ao caráter e a hombridade de Heitor .
Viu em Páris um menino mimado e apaixonado e em Aquiles, nada que vá muito além da beleza de Brad Pitt, que até então, ela, menina, ainda não havia observado.
A morte de Heitor, teve para ela, o mesmo pesar que carreguei comigo a vida toda. Creio ter sido o meu primeiro entendimento de que nem sempre o justo vence e que a Lei do mais forte, muitas vezes prevalece e que a vida é assim e pronto.
Sempre quis poder reescrever a história, ver Tróia inteira, em paz.
Penso que o universo precisa e sempre precisou de trégua, de um pouco de compreensão.
Guerra leva a Guerra, ódio gera ódio. São sentimentos cumulativos.
E afinal, não existe nenhuma Helena que justifique tanta desgraça, tanta dor , tanta morte e devastação.
Dez anos de guerra por causa de uma mulher, do orgulho ferido de um Menelau que não sabe perder e não sabe que amor, não se exige, não se compra. Amor se conquista, amor é algo que flui, ou não (apesar de sabermos que não se guerreou por 10 anos pela mulher de Menelau e os interesses pelo poder sobrepujaram o amor).
Aquiles , filho da deusa Tétis, que ao nascer teve seu corpo mergulhado e segurado pelos pés no rio Estige, é invulnerável. Algo como um troglodita semi-deus.
Heitor, um simples mortal, como eu e você. Porém, a meus olhos e também aos da Livia, o nosso herói. Irmão de Páris, que encaixa-se completamente na frase: O duro é roubar e não poder carregar.
Nessa história, a mais emblemática que tenho conhecimento, o amor de Páris e Helena perdem o foco e ele se volta justamente para a Batalha entre Aquiles e Heitor.
O primeiro, mais do que vencer a Guerra, quer a cabeça de Heitor, o assassino de seu pupilo Pátroclo (sim sim, sim….Até tu, Aquiles???). Heitor, na verdade, matou Pátroclo pensando se tratar de Aquiles, aquela máquina de matar a quem Brad Pitt emprestou sua beleza e algum sentimento, o aniquilador sanguinário, ou ao mais bravo guerreiro grego de todos os tempos. Como meu leitor preferir classifica-lo. Eu gosto de pensar em Aquiles como um homem com algumas qualidades, mas que deixa a vaidade dominar sua existência. Aquiles nunca guerreou por um ideal, por um Rei, ou uma nação. Aquiles guerreava por si , por seus feitos, pela imortalidade do seu nome através da história.
Para vingar-se de sua viuvez , Aquiles mata Heitor e todos temos nosso coração aniquilado ao ver e rever sua morte, a humilhação de ter seu corpo arrastado diante de toda uma Tróia, a Tróia que Heitor sempre defendeu digna e bravamente. Troia se vê imobilizada diante da dor de ver seu filho mais honrado perecer de tal maneira.
Depois, vemos um Príamo, que deixa sua coroa e sua dignidade e vai a procura de Aquiles, pedir o corpo do seu filho de volta, para que sua alma possa fazer a travessia com dignidade.
Que história é essa, meu Deus…
Então estamos diante de um Aquiles novamente humano, entrega o corpo de Heitor a seu pai, que volta com seu filho nos braços, dando a ele a oportunidade de descansar em paz.
E mesmo assim, veja você, somos humanos mesmo! Quando Páris resolve fazer algo de útil nessa trama toda, além de comer sua Helena, atira a tão famosa flecha, que acerta o calcanhar, justamente o calcanhar de Aquiles, a pequena parte que não foi banhada pelo rio Estige e portanto, não estava protegida pelos deuses.
Sempre penso nisso e não entendo porque Tétis não o mergulhou no bendito rio segurando-o pela orelha ou pelos cabelos. Afinal, ninguém morre pq teve a orelha atingida. Desconfio que Tétis era loira…
Enfim, eis que tomba o gigante . E a gente lamenta sua morte.
Vai entender o ser humano….Acho que fomos criados para a vida, para o bem viver, para o perdão.
Ninguem devia morrer. Nem mesmo Aquiles.
Mas minha mais triste mágoa é pela morte de Heitor. Um homem que representa a figura extraordinariamente inspiradora de uma dignidade e humanidade comoventes.
Nenhuma outra historia reuniu tantas figuras arquétipas:
Príamo, o rei soberano, compreensivo e generoso.
Aquiles, sua bravura e sua vaidade indomável.
Heitor, e toda a sua dignidade e coragem.
Ulisses e sua astúcia e inteligência.
Agamenon e sua infinita prepotência.
Menelau e seu orgulho ferido, seu não-saber-perder.
Helena e sua beleza angelical e sedutora.
Páris e sua frivolidade.
Eis uma história atemporal, que discorre sobre personagens fantásticos que certamente existem, mesmo que em pequenas doses, em cada um de nós, e em todos os núcleos, seja hoje, ontem ou amanha.
Fico de fato feliz ao perceber que a preferência de minha filha recai sobre Heitor, me acalma a alma vê-la identificar em meio a multidão o que é um exemplo de coragem, “pois a coragem é característica humana por excelência sem a qual, nenhuma outra seria possível existir” (Aristóteles) .
Me deixa orgulhosa saber que ela compartilha comigo o mesmo pesar por Heitor: O simples mortal, o homem com seus valores, com sua coragem, o defensor de muralhas, o domador de cavalos, um herói sem artifícios.
Por que de Aquiles, esse mundo já está cheio.
domingo, 11 de julho de 2010
Opções
Eu conheço pessoas que amam sem nada pedir em troca.
Conheço irmãos que se abraçam, se beijam, e se querem um bem enorme
Conheço filhos que admiram os pais, embora os saibam com erros e imperfeições
Conheço homens fiéis e mulheres leais aos seus sentimentos
Conheço estranhos que dão de si mais do que conhecidos podem ser capazes de dar.
Eu conheço mães que abrem mão de suas vidas para criar seus filhos, e não se sentem mal por causa disso.
Conheço vários mundos e vários seres humanos e sei que existe um pouco de mim em todos eles: nos bons e nos maus porque ninguém é totalmente certo ou errado. Somos complexos demais para nos simplificarmos como mocinhos ou vilões, feios ou bonitos, morais ou imorais.
Eu conheço pessoas que adotam gratuitamente uma amizade e se dedicam a ela.
Conheço pessoas que se visitam, se fazem próximas
Conheço amigos que primeiro oferecem e depois nem se lembram de cobrar de volta
Conheço cães companheiros de uma vida toda
Eu conheço adultos que acreditam que existe sim um velhinho que no final do ano se esmera para dar presentes a quem não tem de quem recebe-los
Conheço crianças que aprenderam consigo mesmas a ser solidárias e a estender a mao ao amigo caído
Conheço famílias unidas que se respeitam e se admiram, que bebem, que dançam, que cantam e que riem, riem muito e são felizes
Conheço gente que se entende muito bem, embora sabendo que assim como ele, todos tem defeitos e imperfeições
Conheço vários mundos e vários seres humanos e pelo meu poder de opção,
Eu escolhi só falar dos bons, das coisas boas, da felicidade que eles podem proporcionar
Eu tenho escolhido viver pela paz, sem hipocrisia, sem falso moralismo e sem criticar ninguém.
Eu tenho entendido que apontar o defeito do outro, nunca me tornará melhor que ele
E que aquilo que não me serve, pode servir a outros e portanto, não deve ser depreciado.
Eu conheço vários mundos e vários seres humanos
E já vivi o bastante para entender que pra ser feliz de verdade,
Temos que saber fazer as escolhas e opções corretas.
E eu sempre optarei pelo lado bom que ainda resta em cada um de nós,
E pelas manhãs de domingo de sol, paz e poesia.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
PARA O HOMEM QUE AMO: (PORQUE ELE FAZ COM QUE EU SINTA UM ACRÉSCIMO DE ESTIMA POR MIM MESMA...)
"TINHA SUSPIRADO,
TINHA BEIJADO O PAPEL DEVOTAMENTE
ERA A PRIMEIRA VEZ QUE LHE ESCREVIAM
AQUELAS SENTIMENTALIDADES
E SEU ORGULHO DILATAVA-SE AO CALOR AMOROSO
QUE SAÍA DELAS.
COMO UM CORPO RESSEQUIDO QUE SE ESTIRA NUM
BANHO TÉPIDO
SENTIA UM ACRÉSCIMO DE ESTIMA POR SI MESMA
E PARECIA-LHE QUE ENTRAVA ENFIM NUMA
EXISTENCIA SUPERIORMENTE INTERESSANTE
ONDE CADA HORA TINHA O SEU ENCANTO DIFERENTE
CADA PASSO CONDUZIA A UM ÊXTASE
E A ALMA SE COBRIA DE UM LUXO RADIOSO DE
SENSAÇÕES.”
EÇA DE QUEIRÓS, ( O PRIMO BASÍLIO)
quinta-feira, 1 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
( Para minha irmã Daviane, com amor )
A HISTÓRIA DA GALINHA
Eu era pequena, mas já conhecia os 10 mandamentos e sabia que “não matar” , era um deles.
E sabia também ,que embora todos os meus dentes fossem ainda de leite, eu era uma mocinha, tinha que cuidar da minha irmãzinha. Não vou citar o nome dela aqui, porque não tenho a intenção de queimar o filme de ninguém!
No nosso quintal tinha algumas bananeiras, terra roxa, que com um pouco de água e imaginação , me davam deliciosos brigadeiros , algumas galinhas e pintinhos ciscando aqui e ali e o meu pé de goiaba. Não era Laranja Lima, mas eu conversava muito com ele, e passava mais tempo lá entre os galhos mais finos do que em terra firme.
Minha irmã nessa época era assim , vamos dizer...meio bobinha, pra não pegar muito pesado.
-Óia os pintinhooo!!!!!!!Túúúúúdo amaleliiiiinho!!!
-Não chega perto não que não pode!
-Pur que não pode?
-Porque o vovô falou que galinha fica brava quando tem filhinho e morde.
-Pur que morde?
-Porque ela pensa que a gente quer roubar os filhinhos dela e morde.
-Mas eu quero roubar . Mas é um só.
-Não pode.
-Pur que?
-Porque não .
Voltei pros meus afazeres sem nenhum estress ou preocupação. Estava tudo resolvido.
Além de cuidar da pequena criatura, ainda a eduquei. Eu era mesmo demais. Que orgulho sentia de mim mesma às vezes...
De repente, eu ouço aquela gritaria. Eu nem tinha virado as costas e a danada estava lá querendo seqüestrar o pintinho.
A cena era dramática: ela corria e gritava e conforme corria, seus cachinhos balançavam (sim, ela tinha cachinhos naquela época e seus cabelos não eram vermelhos não. Eram dourados!) e a galinha correndo atrás dela.
-Corre pra cá que eu te pego e você sobe na goiabeira comigo, corre!
Ela só gritava:
- AAAAAi Nossa Sinhora!!!!
Era uma patifinha mesmo. Eu avisei, eu expliquei! E até que tava engraçado aquilo.
De repente, a peste da galinha bicou a rendinha da calcinha dela.
Sabe aquelas calcinhas de antigamente, que na parte de trás tinha um monte de babadinhos franzidos? Pois era aquela calcinha que ela usava e conforme a galinha bicou, o babadinho foi se desfazendo. Parecia coisa de cinema. A galinha não abria mais o bico e quanto mais a dona da calcinha corria, maior ia ficando a rendinha.
Foi quando percebi que seria necessário uma intervenção .
Retirei o laço da verdade do bolso e comecei a rodopiar dentro dele. Um segundo e já não era mais eu.
Parti pra cima da galinha, e nada dela desistir. Rapidamente minha mente de Mulher Maravilha entrou em ação e fui em direção aos pintinhos, na genial intenção de distraí-la. Não surtiu enfeito.
Agora me digam: o que mais me restava? Era uma gritaria minha, da galinha e da dona da calcinha (que só sabia chamar por Nossa Senhora) , e nada de aparecer alguém. Mirei um pedaço de pau, que depois ninguém entendeu como eu consegui levantá-lo dado o meu estado de retirante desmamada e desnutrida.
Mas ninguém sabia da minha identidade secreta!! e eu jamais poderia revelá-la a ninguém...
O fato é que quando corri em direção a elas, a criatura da frente parou , provavelmente cansada, no canto do quintal , abaixou-se de costas pro mundo, colocou as mãozinhas na cabeça e dizia: AAAAAAi, Nossa Sinhora, ai Nossa Sinhora!
Foi quando cometi meu primeiro assassinato. Matei a galinha a pauladas.
Segundo minha bisavó, nem pra assar , teve jeito.
É que me empolguei, e fiquei tão feliz com o silêncio da galinha, que continuei batendo. Só ouvia o “AAAi, Nossa Sinhora”, que ainda levou um certo tempo pra parar.
É claro que depois de tudo resolvido, chega a tropa de choque:
-Maaaar miniiiiiina, o que é que tu fez com a galiiiiiiiinha?? ÔÔÔÔ judiaçããããão!
-Valha-me Nossa Senhora! Matou-se!
-Não, bisa! Eu que matei.
-AAAi, Nossa Sinhora...
-Mas pru causa de quê você fez uma desgracêra dessa com a bichinha, filha? Galinha não faz mal pra ninguéém!!
-AAAAAi Nossa Sinhora!
-O que é que essa menina tá fazendo agachada no canto com as calcinha tudo rasgada e não para de falar Ai Nossa Senhora?
-Oxenti, que é o fim do mundo. A menina matou a galinha....
-Hômi, rapáiz, uma galinha tão gorda...tão bunita.....
Olha, demorou foi muito tempo pra todos entenderem que eu não era a vilã e sim, a salvadora, a Mulher Maravilha de bota vermelha, capa dos Estados Unidos, diadema e braceletes em punho. Até pensei em lançar mão do laço da verdade a fim de que a pequena contasse ,enfim, como tudo aconteceu, mas não obtive sucesso. Ela só sabia mesmo dizer:
-Aaaaaai, Nossa Sinhora....
Depois de tudo passado, fui recebida não como heroína, mas como a menina que defendeu a irmãzinha mais nova. Achei um pouco injusto, afinal, o ato foi heróico, digno de Diana Prince .
Mas fico feliz em pensar que de tanto gritar por Nossa Senhora, pelo menos evangélica, aquela criatura não virou. Dos males, o menor !
Eu era pequena, mas já conhecia os 10 mandamentos e sabia que “não matar” , era um deles.
E sabia também ,que embora todos os meus dentes fossem ainda de leite, eu era uma mocinha, tinha que cuidar da minha irmãzinha. Não vou citar o nome dela aqui, porque não tenho a intenção de queimar o filme de ninguém!
No nosso quintal tinha algumas bananeiras, terra roxa, que com um pouco de água e imaginação , me davam deliciosos brigadeiros , algumas galinhas e pintinhos ciscando aqui e ali e o meu pé de goiaba. Não era Laranja Lima, mas eu conversava muito com ele, e passava mais tempo lá entre os galhos mais finos do que em terra firme.
Minha irmã nessa época era assim , vamos dizer...meio bobinha, pra não pegar muito pesado.
-Óia os pintinhooo!!!!!!!Túúúúúdo amaleliiiiinho!!!
-Não chega perto não que não pode!
-Pur que não pode?
-Porque o vovô falou que galinha fica brava quando tem filhinho e morde.
-Pur que morde?
-Porque ela pensa que a gente quer roubar os filhinhos dela e morde.
-Mas eu quero roubar . Mas é um só.
-Não pode.
-Pur que?
-Porque não .
Voltei pros meus afazeres sem nenhum estress ou preocupação. Estava tudo resolvido.
Além de cuidar da pequena criatura, ainda a eduquei. Eu era mesmo demais. Que orgulho sentia de mim mesma às vezes...
De repente, eu ouço aquela gritaria. Eu nem tinha virado as costas e a danada estava lá querendo seqüestrar o pintinho.
A cena era dramática: ela corria e gritava e conforme corria, seus cachinhos balançavam (sim, ela tinha cachinhos naquela época e seus cabelos não eram vermelhos não. Eram dourados!) e a galinha correndo atrás dela.
-Corre pra cá que eu te pego e você sobe na goiabeira comigo, corre!
Ela só gritava:
- AAAAAi Nossa Sinhora!!!!
Era uma patifinha mesmo. Eu avisei, eu expliquei! E até que tava engraçado aquilo.
De repente, a peste da galinha bicou a rendinha da calcinha dela.
Sabe aquelas calcinhas de antigamente, que na parte de trás tinha um monte de babadinhos franzidos? Pois era aquela calcinha que ela usava e conforme a galinha bicou, o babadinho foi se desfazendo. Parecia coisa de cinema. A galinha não abria mais o bico e quanto mais a dona da calcinha corria, maior ia ficando a rendinha.
Foi quando percebi que seria necessário uma intervenção .
Retirei o laço da verdade do bolso e comecei a rodopiar dentro dele. Um segundo e já não era mais eu.
Parti pra cima da galinha, e nada dela desistir. Rapidamente minha mente de Mulher Maravilha entrou em ação e fui em direção aos pintinhos, na genial intenção de distraí-la. Não surtiu enfeito.
Agora me digam: o que mais me restava? Era uma gritaria minha, da galinha e da dona da calcinha (que só sabia chamar por Nossa Senhora) , e nada de aparecer alguém. Mirei um pedaço de pau, que depois ninguém entendeu como eu consegui levantá-lo dado o meu estado de retirante desmamada e desnutrida.
Mas ninguém sabia da minha identidade secreta!! e eu jamais poderia revelá-la a ninguém...
O fato é que quando corri em direção a elas, a criatura da frente parou , provavelmente cansada, no canto do quintal , abaixou-se de costas pro mundo, colocou as mãozinhas na cabeça e dizia: AAAAAAi, Nossa Sinhora, ai Nossa Sinhora!
Foi quando cometi meu primeiro assassinato. Matei a galinha a pauladas.
Segundo minha bisavó, nem pra assar , teve jeito.
É que me empolguei, e fiquei tão feliz com o silêncio da galinha, que continuei batendo. Só ouvia o “AAAi, Nossa Sinhora”, que ainda levou um certo tempo pra parar.
É claro que depois de tudo resolvido, chega a tropa de choque:
-Maaaar miniiiiiina, o que é que tu fez com a galiiiiiiiinha?? ÔÔÔÔ judiaçããããão!
-Valha-me Nossa Senhora! Matou-se!
-Não, bisa! Eu que matei.
-AAAi, Nossa Sinhora...
-Mas pru causa de quê você fez uma desgracêra dessa com a bichinha, filha? Galinha não faz mal pra ninguéém!!
-AAAAAi Nossa Sinhora!
-O que é que essa menina tá fazendo agachada no canto com as calcinha tudo rasgada e não para de falar Ai Nossa Senhora?
-Oxenti, que é o fim do mundo. A menina matou a galinha....
-Hômi, rapáiz, uma galinha tão gorda...tão bunita.....
Olha, demorou foi muito tempo pra todos entenderem que eu não era a vilã e sim, a salvadora, a Mulher Maravilha de bota vermelha, capa dos Estados Unidos, diadema e braceletes em punho. Até pensei em lançar mão do laço da verdade a fim de que a pequena contasse ,enfim, como tudo aconteceu, mas não obtive sucesso. Ela só sabia mesmo dizer:
-Aaaaaai, Nossa Sinhora....
Depois de tudo passado, fui recebida não como heroína, mas como a menina que defendeu a irmãzinha mais nova. Achei um pouco injusto, afinal, o ato foi heróico, digno de Diana Prince .
Mas fico feliz em pensar que de tanto gritar por Nossa Senhora, pelo menos evangélica, aquela criatura não virou. Dos males, o menor !
quarta-feira, 16 de junho de 2010
MANDELA
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Um dia desses eu discutia com alguém sobre Mandela. Falava da minha admiração pelo homem que ele foi e ainda é. A pessoa tinha um discurso que eliminava qualquer tentativa de argumentação:Trata-se de um terrorista. Matou em nome de um ideal e nenhum ideal vale uma vida.
Não vou discorrer sobre o tema, porque todos temos o direito da livre expressão e de termos e conservarmos nossa própria opinião sobre todos os fatos.
Só penso que não se faz a omelete sem quebrar alguns ovos. Mas se esses ovos forem quebrados por um negro, em pleno apartheid, isso fará dele um terrorista, é óbvio. Só que terroristas, não são respeitados. Terroristas não costumam receber o premio Nobel da Paz.
Nelson Mandela é uma referência . Sua incansável luta contra o Apartheid , à segregação e ao preconceito, buscando sempre a igualdade entre todos, transformaram-no no político com a maior autoridade moral não só no continente africano, mas em todo o globo terrestre.
Um homem que dispensa comentários.
Ontem tive a oportunidade de assistir Invictus, que conta a história de como Nelson Mandela, após 27 anos de prisão, recém eleito presidente da África do Sul, utilizou a Copa do Mundo de rúgbi em 1995 para conquistar a simpatia de uma nação pela causa de uma democracia multirracial .
A origem do titulo do filme é o nome de um poema de Willian Ernest Henley, que para ele era como uma oração , dando força para que continuasse se levantando , todas as manhãs, durante não só os 27 anos de prisao, mas em todos os dias de sua vida.
Minha opinião sobre Mandela não se limita, é óbvio ao filme, mas tem a ver com a maneira como ele nunca, jamais se deixou derrotar, sobre a força que o manteve ereto diante de seus ideais e do modo como sempre, sempre procurou por em prática o espírito de igualdade entre seus semelhantes.
Algumas pessoas queridas sempre me dizem que falo pouco sobre os temas, que eu poderia explorá-los muito mais, mas não é essa minha intenção. Não pretendo me aprofundar além do necessário . Para mim, basta chamar a atenção dos que conhecem a história , ou despertar a curiosidade daqueles que não tem conhecimento sobre ela, para que não se perca nunca o hábito de discutirmos, não as pessoas ou seus atos, mas sim seus ideais .
Invictus
"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por minh’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Um dia desses eu discutia com alguém sobre Mandela. Falava da minha admiração pelo homem que ele foi e ainda é. A pessoa tinha um discurso que eliminava qualquer tentativa de argumentação:Trata-se de um terrorista. Matou em nome de um ideal e nenhum ideal vale uma vida.
Não vou discorrer sobre o tema, porque todos temos o direito da livre expressão e de termos e conservarmos nossa própria opinião sobre todos os fatos.
Só penso que não se faz a omelete sem quebrar alguns ovos. Mas se esses ovos forem quebrados por um negro, em pleno apartheid, isso fará dele um terrorista, é óbvio. Só que terroristas, não são respeitados. Terroristas não costumam receber o premio Nobel da Paz.
Nelson Mandela é uma referência . Sua incansável luta contra o Apartheid , à segregação e ao preconceito, buscando sempre a igualdade entre todos, transformaram-no no político com a maior autoridade moral não só no continente africano, mas em todo o globo terrestre.
Um homem que dispensa comentários.
Ontem tive a oportunidade de assistir Invictus, que conta a história de como Nelson Mandela, após 27 anos de prisão, recém eleito presidente da África do Sul, utilizou a Copa do Mundo de rúgbi em 1995 para conquistar a simpatia de uma nação pela causa de uma democracia multirracial .
A origem do titulo do filme é o nome de um poema de Willian Ernest Henley, que para ele era como uma oração , dando força para que continuasse se levantando , todas as manhãs, durante não só os 27 anos de prisao, mas em todos os dias de sua vida.
Minha opinião sobre Mandela não se limita, é óbvio ao filme, mas tem a ver com a maneira como ele nunca, jamais se deixou derrotar, sobre a força que o manteve ereto diante de seus ideais e do modo como sempre, sempre procurou por em prática o espírito de igualdade entre seus semelhantes.
Algumas pessoas queridas sempre me dizem que falo pouco sobre os temas, que eu poderia explorá-los muito mais, mas não é essa minha intenção. Não pretendo me aprofundar além do necessário . Para mim, basta chamar a atenção dos que conhecem a história , ou despertar a curiosidade daqueles que não tem conhecimento sobre ela, para que não se perca nunca o hábito de discutirmos, não as pessoas ou seus atos, mas sim seus ideais .
Invictus
"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por minh’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."
sexta-feira, 11 de junho de 2010
SOBRE A FELICIDADE
Estive pensando...(ultimamente tem me sobrado algum tempo para esse luxo).
Ouvimos e lemos tanta gente falando sobre a vida, sobre justiça, dignidade, moral, honra, sobre Deus , sobre ser um vencedor, sobre chegar lá, sobre a felicidade...
Mas enfim, o que é a vida, senão aquilo que fazemos dela ?
Como falar de justiça, se todos temos nossa parcela de pecado, mesmo tentando escondê-lo pra debaixo do tapete?
Quais argumentos usar para falar de dignidade, honra e moral, se para cada um de nós, essas coisas tem um peso e uma medida exatamente diferentes?
Como falar sobre Deus, quando expomos nosso irmão, caluniamos, maldizemos, amaldiçoamos nosso semelhante? Sim, fazemos isso! É feio, não é? É feio reconhecer que fazemos isso mesmo que seja em pensamento. No entanto, existem pessoas que além de sentir, expõem esse sentimento, tornando-o ainda mais real e exato.
O que será que Deus pensa disso?
Como falar sobre vencedores e fracassados, como falar sobre chegar lá, se mal sabemos para onde estamos indo? Será que de fato escolhemos o caminho correto? Será que a pedra que atiramos na vidraça do vizinho, daqui há pouco não quebrará nossa própria vidraça também?
Os estilhaços causam danos irreparáveis....
Penso que não existe beleza na maldade. Apontar o dedo sempre estará fora de moda. Quando o dedo apontado é sujo, a questão é ainda pior, pois caímos no ridículo.No ridículo de nós mesmos.
Eu não sei se existe recompensa para aquilo que fazemos de bom. Creio que não. Penso que fazer o bem, não é virtude, e sim, obrigação. Já o mal que fazemos ou mesmo desejamos, é certo que teremos que prestar conta , mais cedo, mais tarde.
Tem um velho provérbio chinês que diz que há três coisas na vida que não se volta atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Pensemos nisso. A flecha lançada, certamente voltará para seu lançador, é só uma questão de tempo. Cuidemos da nossa língua. Ela é capaz de abençoar e também amaldiçoar alguém e a si mesmo, porque aquilo que desejamos ao outro, Deus divide em duas partes. Nisso eu acredito.
Não acredito num Deus que pune, que tem mãos pesadas sobre seus filhos, mas acredito num Deus que divide tudo oque pedimos ou desejamos a nosso próximo, entre ele, e nós mesmos.
Quanto a oportunidade, que nunca percamos a oportunidade de nos calarmos, quando não tivermos nada de bom a dizer.
E finalmente, sobre a felicidade: Ora, quem é feliz de verdade, não necessita convencer ninguém sobre isso ! Sobre as receitas maravilhosas para encontrarmos a felicidade, sobre como é bom ser feliz, fica aqui a pergunta:
Já que todos falam e querem tanto ser felizes, porque não são?
.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
CARTA PARA VOCÊ
.
Estou aqui a te escrever essa carta , mas não sei como enviá-la, não sei como você poderia recebê-la.
Queria te contar as novidades, e de como tudo mudou desde que você partiu.
Conheci lugares incríveis , pessoas que valeram e pessoas que não valeram a pena.
Eu tive uma filha, e você não chegou a conhecê-la.
Fiquei doente, fiquei feliz, fiquei rica, fiquei pobre, fiquei mais velha e você não viu.
Fui a vários carnavais depois da sua partida e confesso que enquanto me divertia no salão, só parei pra pensar em você quando a bateria fez um solo no meio do baile. Foi quando o domingo virou quarta feira de cinzas e tudo entristeceu.
Você certamente se orgulharia de algumas pessoas e se envergonharia de outras e se surpreenderia com o rumo que cada um tomou na vida.
Sua bolacha Bonno de chocolate ficou pela metade durante muitos anos, e como você não voltava, quando me dei conta ela não estava mais por ali.
Suas roupas caíram de moda e suas coisas também foram desaparecendo, à minha revelia, mas não sou ninguém, não pude evitar que a vida seguisse em frente.
Tomei posse de alguns amigos seus, espero que não se importe com isso. É uma forma de te sentir mais próximo.
Roubaram sua montain bike . Saí com a tia noite adentro a procura-la por toda a cidade, mas não tivemos sucesso. Isso me doeu demais.
A vovó chora sempre quando falamos de você. Ela está frágil e cansada . Pressinto que logo ela possa te rever.
Me sinto um pouco culpada sempre que rio muito, sempre que passo por momentos especiais e todas as vezes que entrei num avião, foi pra você o meu primeiro e único pensamento.
É que você seguiu cedo demais , e não nos despedimos. Você não pegou a chave do meu carro novo aquela última tarde em frente a Prefeitura e eu não tive tempo de te explicar direito quando você me perguntou sobre Forrest Gump. Você teria gostado de assisti-lo.
Se eu soubesse, teria te dado um abraço bem forte aquele dia . Poderia ter dito coisas que sentia, te falar da sua importância, do meu amor, da nossa infância, mas a gente sempre acha que haverá outras oportunidades .
Peço desculpas por ter ficado enquanto você partiu. Talvez se tivesse sido o contrário, as coisas fizessem mais sentido. Sempre penso nisso...
Outras pessoas partiram depois de você, e isso me machucou muito, mas só de você eu quis desesperadamente correr entre os trilhos para tentar segurar o trem e impedir sua partida.
Que bobagem a minha....Eu querendo segurar o trem enquanto você , passageiro , seguia por outro caminho, segurado pelas mãos de Deus...
Estou aqui a te escrever essa carta , mas não sei como enviá-la, não sei como você poderia recebê-la.
Queria te contar as novidades, e de como tudo mudou desde que você partiu.
Conheci lugares incríveis , pessoas que valeram e pessoas que não valeram a pena.
Eu tive uma filha, e você não chegou a conhecê-la.
Fiquei doente, fiquei feliz, fiquei rica, fiquei pobre, fiquei mais velha e você não viu.
Fui a vários carnavais depois da sua partida e confesso que enquanto me divertia no salão, só parei pra pensar em você quando a bateria fez um solo no meio do baile. Foi quando o domingo virou quarta feira de cinzas e tudo entristeceu.
Você certamente se orgulharia de algumas pessoas e se envergonharia de outras e se surpreenderia com o rumo que cada um tomou na vida.
Sua bolacha Bonno de chocolate ficou pela metade durante muitos anos, e como você não voltava, quando me dei conta ela não estava mais por ali.
Suas roupas caíram de moda e suas coisas também foram desaparecendo, à minha revelia, mas não sou ninguém, não pude evitar que a vida seguisse em frente.
Tomei posse de alguns amigos seus, espero que não se importe com isso. É uma forma de te sentir mais próximo.
Roubaram sua montain bike . Saí com a tia noite adentro a procura-la por toda a cidade, mas não tivemos sucesso. Isso me doeu demais.
A vovó chora sempre quando falamos de você. Ela está frágil e cansada . Pressinto que logo ela possa te rever.
Me sinto um pouco culpada sempre que rio muito, sempre que passo por momentos especiais e todas as vezes que entrei num avião, foi pra você o meu primeiro e único pensamento.
É que você seguiu cedo demais , e não nos despedimos. Você não pegou a chave do meu carro novo aquela última tarde em frente a Prefeitura e eu não tive tempo de te explicar direito quando você me perguntou sobre Forrest Gump. Você teria gostado de assisti-lo.
Se eu soubesse, teria te dado um abraço bem forte aquele dia . Poderia ter dito coisas que sentia, te falar da sua importância, do meu amor, da nossa infância, mas a gente sempre acha que haverá outras oportunidades .
Peço desculpas por ter ficado enquanto você partiu. Talvez se tivesse sido o contrário, as coisas fizessem mais sentido. Sempre penso nisso...
Outras pessoas partiram depois de você, e isso me machucou muito, mas só de você eu quis desesperadamente correr entre os trilhos para tentar segurar o trem e impedir sua partida.
Que bobagem a minha....Eu querendo segurar o trem enquanto você , passageiro , seguia por outro caminho, segurado pelas mãos de Deus...
sábado, 22 de maio de 2010
CURIOSIDADE INFANTIL
Pedro Bloch, para quem não se lembra , nascido na Ucrânia, naturalizado brasileiro, foi um médico foniatra, mas foi também jornalista, escritor,compositor, dramaturgo e sobretudo, um observador das coisas pequenas. Lembro de uma revista que tinha uma coluna com as pérolas das crianças. Sei da existência de um livro dele, chamado
Dicionário de Anedotas de Crianças para adultos. Não cheguei a ler, mas tenho certeza que minha filha traria exímia contribuição para aumentar as páginas de tal livro.
Há alguns anos, num desses momentos de papo furado, onde normalmente crianças de 6 anos costumam perguntar como os peixinhos respiram dentro d’agua, ou como os bebês não morrem quando a cegonha os joga lá do céu, eis que surge a pergunta:
-Mamãe, o que é AIDS?
Pensei em apelar pra estratégia do: Vamos fazer brigadeeeeeeeeeeiroooo? Pois achava que era um pouco cedo pra explicar sobre Aids pra ela. Mas seus olhinhos curiosos e ávidos de saber impediram-me de sabotá-la.
-Aids é um vírus que faz com que a imunidade de nosso corpo fique fraca, e qualquer doença, até mesmo uma gripe, pode matar. Você sabe o que é imunidade, né?
-Sei...são os soldadinhos que quando eu não quero comer, ficam fraquinhos e não conseguem lutar contras as doenças.
-Sim, isso mesmo.
-Nooossa, mãe, mas então Aids mata! Mas se é um vírus, como se pega esse vírus?
-Pela contaminação através do sangue, ou através de relações Sexuais.
-Como assim, pelo sangue?
Nesse momento, fiquei um tanto aliviada por ela não ter perguntado: como assim, através de relações sexuais? Apesar de termos sempre longas conversas sobre sexo. Fazer o quê, se ela não se interessa pela respiração dos peixinhos?
-Se você estiver com um machucado aberto, e a pessoa que tiver o vírus também tiver um machucado aberto e houver contato, a pessoa pode transmitir o vírus pra você.
-Nooooossa.....
Seus olhinhos brilhavam cada vez mais, e corriam de um lado para o outro, tentando assimilar sem grandes traumas, que no mundo, existem coisas ruins mesmo....Eu apenas a observava...
-Mas mãe, se é um vírus, a primeira pessoa que se contaminou, pegou esse vírus como?
É, ela não para, não adianta....
-Dizem que o vírus da Aids surgiu com os macacos, lááá na África.
Longo silêncio se seguiu, os olhinhos dela circularam mais rapidamente ainda. Depois veio a expressão de tédio pelo mistério sem solução. Aí , a iluminação, seguida da pergunta:
-Quer dizer então, que.....alguém foi pra África...e....TRANSOU COM UM MACACO???????
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Diálogo Surreal entre dois amigos
.
- To com soluço.
-Segura a respiração que passa, ó, faz assim (fazendo um barulho absurdo de quem ta puxando e segurando o ar para explicar)
-Olha como que eu faço! (silêncio)
Alguns minutos se passam e eu me distraio com a leitura e quando volto a ouvi-los....
-Vai , tenta, vc tem que colocar as mãos pra trás como se fosse a asa, abaixar mais o corpo....
-assim?
-é, agora vc tem que sair andando....ééé, é por aí...
-E Orangotango?
-Ah, aí é uma jogada do corpo, né, os braços deles são grandes, quase batendo no chão..
(Aí eu ouço a Lívia soltando uns grunhidos, que são encarados na maior naturalidade por seu professor...)
-Ai, peraí, eu tenho que exercitar esse joelho, não tenho? Xú, como se forma o ovo dentro do corpo da galinha? (não to acreditando no tamanho da digressão, mas me controlo. Quero ouvir e não posso perder a concentração, senão eu rio e aí os pontos doem..)
-É formado por um tipo de calcificação da galinha, Lica.
Outro momento de distração e quando retorno...
-Não, Lica, tesoura só corta papel.
-Sim, e papel embrulha a pedra! (segue um tal de joken-pô zilhoes de vezes e risos, muitos risos).
-O leão mata o homem, o homem mata a espingááárda...
-Espingáááárda, Lica? Pq vc fala assim?
-Ah sei lá. (e segue o tal do joken-po...)
-Ah! Ganhei!
-Como ganhou? Como o homem ganha da espingarda?Não rouba, Lica...
-Pq o homem manipula a espingarda, Xu, e porque é assim! (traduz-se: “E ponto”. Filha de peixe...)
Segue um tempo de silêncio. Ouço um som que me parece filme de cowboy, mas o papo é:
-Vc quer ser enterrada, Lica?
-Ah, sei La, eu tenho que levar um tempo pra decidir sobre isso. (pisciana sobrevivente...) E vc, Xu?
-Ah, eu quero ser cremado e uma parte das minhas cinzas jogadas ao mar e outra parte...
-Ta , entendi, vc quer ser cremado. (boa, boa, tem que sintetizar, menino!)
É uma pena eu não conseguir ouvir tudo...ele muda o canal, o som aumenta e eu não ouço nada...
- Ah, mas vc tem que fazer assim: troca por um cigarro mais fraco, até chegar no free light, aí vai diminuindo bem devagarinho, tipo, hoje vc fuma 20 por dia, amanha também, depois vc fuma 19 por dia, e assim vai.
-Ah, mas assim eu vou demorar 20 anos pra parar de fumar! (fraquinho esse argumento, hein...e ele trata de mudar de assunto :)
-Cafú. Lembra dele na copa, Lica?
-Lembro. ...Galinácea, o que é isso?
-Que vem da galinha (gente, outra vez a galinha?)
-Como eles conversam?
-Com a mente.
-Ela fala e ele ouve?
-Não.
-Como , então?
-Por telepatia.
-Ah, tá.
-Entendeu?
-Não, mas tudo bem, Xú, vou La ver a mamãe.
-E aí, como ela está?
-Diz que a barriga dói quando ela ri.
-E ela tá rindo?
-Tá.
-Do que?
-Sei lá. Disse que tava ouvindo um diálogo “surreal”. Só pode ser do Youtube..
-É...
-Xu, o que é “surreal” ?
(Escrevi esse texto já tem uns dias, e agora, ao relê-lo, me emocionei muito ao perceber que
Thiago , há vários dias, só tem fumado Marlboro Light....
Amo muito tudo isso. É , de fato, surreal ....)
- To com soluço.
-Segura a respiração que passa, ó, faz assim (fazendo um barulho absurdo de quem ta puxando e segurando o ar para explicar)
-Olha como que eu faço! (silêncio)
Alguns minutos se passam e eu me distraio com a leitura e quando volto a ouvi-los....
-Vai , tenta, vc tem que colocar as mãos pra trás como se fosse a asa, abaixar mais o corpo....
-assim?
-é, agora vc tem que sair andando....ééé, é por aí...
-E Orangotango?
-Ah, aí é uma jogada do corpo, né, os braços deles são grandes, quase batendo no chão..
(Aí eu ouço a Lívia soltando uns grunhidos, que são encarados na maior naturalidade por seu professor...)
-Ai, peraí, eu tenho que exercitar esse joelho, não tenho? Xú, como se forma o ovo dentro do corpo da galinha? (não to acreditando no tamanho da digressão, mas me controlo. Quero ouvir e não posso perder a concentração, senão eu rio e aí os pontos doem..)
-É formado por um tipo de calcificação da galinha, Lica.
Outro momento de distração e quando retorno...
-Não, Lica, tesoura só corta papel.
-Sim, e papel embrulha a pedra! (segue um tal de joken-pô zilhoes de vezes e risos, muitos risos).
-O leão mata o homem, o homem mata a espingááárda...
-Espingáááárda, Lica? Pq vc fala assim?
-Ah sei lá. (e segue o tal do joken-po...)
-Ah! Ganhei!
-Como ganhou? Como o homem ganha da espingarda?Não rouba, Lica...
-Pq o homem manipula a espingarda, Xu, e porque é assim! (traduz-se: “E ponto”. Filha de peixe...)
Segue um tempo de silêncio. Ouço um som que me parece filme de cowboy, mas o papo é:
-Vc quer ser enterrada, Lica?
-Ah, sei La, eu tenho que levar um tempo pra decidir sobre isso. (pisciana sobrevivente...) E vc, Xu?
-Ah, eu quero ser cremado e uma parte das minhas cinzas jogadas ao mar e outra parte...
-Ta , entendi, vc quer ser cremado. (boa, boa, tem que sintetizar, menino!)
É uma pena eu não conseguir ouvir tudo...ele muda o canal, o som aumenta e eu não ouço nada...
- Ah, mas vc tem que fazer assim: troca por um cigarro mais fraco, até chegar no free light, aí vai diminuindo bem devagarinho, tipo, hoje vc fuma 20 por dia, amanha também, depois vc fuma 19 por dia, e assim vai.
-Ah, mas assim eu vou demorar 20 anos pra parar de fumar! (fraquinho esse argumento, hein...e ele trata de mudar de assunto :)
-Cafú. Lembra dele na copa, Lica?
-Lembro. ...Galinácea, o que é isso?
-Que vem da galinha (gente, outra vez a galinha?)
-Como eles conversam?
-Com a mente.
-Ela fala e ele ouve?
-Não.
-Como , então?
-Por telepatia.
-Ah, tá.
-Entendeu?
-Não, mas tudo bem, Xú, vou La ver a mamãe.
-E aí, como ela está?
-Diz que a barriga dói quando ela ri.
-E ela tá rindo?
-Tá.
-Do que?
-Sei lá. Disse que tava ouvindo um diálogo “surreal”. Só pode ser do Youtube..
-É...
-Xu, o que é “surreal” ?
(Escrevi esse texto já tem uns dias, e agora, ao relê-lo, me emocionei muito ao perceber que
Thiago , há vários dias, só tem fumado Marlboro Light....
Amo muito tudo isso. É , de fato, surreal ....)
PLÁGIO, POR MARLA DE QUEIRÓZ
O TEXTO ABAIXO É DE AUTORIA DE MARLA QUEIRÓZ,
ALGUEM QUE NAO CONHEÇO, MAS QUE ESCREVE COM A ALMA E FAZ ISSO MUITO FLUENTEMENTE.
O TEXTO FALA SOBRE PLÁGIO E DE COMO ISSO FERE UM ESCRITOR, SEJA ELE DE PRIMEIRA, QUINTA OU DÉCIMA CATEGORIA. SE É NOSSO, DEVE SER CITADO COMO NOSSO. PLAGIAR É A PIOR FORMA DE PRESTAR HOMENAGEM , PLAGIAR É COMO ASSUMIR QUE EXISTE ALGO QUE FOI BEM FEITO, E QUE VOCÊ NÃO É CAPAZ DE FAZE-LO MELHOR. PENSE SEMPRE NISSO, E QUANDO FOR CITAR ALGO QUE NÃO SEJA SEU, CITE SEMPRE O AUTOR.
Quando alguém se apropria de um texto sem dar os créditos ao autor, essa pessoa se apropria de um momento, de uma história que a inspirou, da oscilação dos sentimentos, de trocas íntimas.Ela se apropria de uma transa, de um abraço, de uma vitória, de uma dor, de uma cura e de horas que foram dedicadas à elaboração daquilo. Ela se apropria de uma lembrança, de uma saudade, de uma angústia, de uma solidão, de um talento. Ela se apropria de algo que pode exemplificar exatamente o que ela queria dizer, mas que teria dito de outra forma.Ela não escreve uma história, ela escreve uma farsa.
Por mais que um texto meu pareça fluido ou que eu tenha “facilidade” em escrever, este é um ato solitário e de muita entrega. As palavras são temperamentais e, muitas vezes, arredias. Seduzi-las será sempre um desafio. Compartilhar um texto é um ato de generosidade, porque se compartilha, antes de tudo, uma nudez. E é essa honestidade que tantas vezes desanuvia o coração de alguém que descobriu que não está passando pela mesma situação sozinho. Compartilhar é uma forma de dar calor, de segurar a mão, de fazer um afago, de pedir colo. Por mais simples que seja um texto, ele sempre é fruto de muita leitura, estudo, autoconhecimento, conversa, observação e trabalho. Por isso, o autor merece respeito e consideração. Talvez algumas pessoas não saibam, mas textos são como filhos que a gente solta no mundo, mas todos eles têm uma certidão de nascimento, uma identidade, uma digital.E serão reconhecidos mesmo que desfigurados, porque têm DNA.
Marla de Queiroz
ALGUEM QUE NAO CONHEÇO, MAS QUE ESCREVE COM A ALMA E FAZ ISSO MUITO FLUENTEMENTE.
O TEXTO FALA SOBRE PLÁGIO E DE COMO ISSO FERE UM ESCRITOR, SEJA ELE DE PRIMEIRA, QUINTA OU DÉCIMA CATEGORIA. SE É NOSSO, DEVE SER CITADO COMO NOSSO. PLAGIAR É A PIOR FORMA DE PRESTAR HOMENAGEM , PLAGIAR É COMO ASSUMIR QUE EXISTE ALGO QUE FOI BEM FEITO, E QUE VOCÊ NÃO É CAPAZ DE FAZE-LO MELHOR. PENSE SEMPRE NISSO, E QUANDO FOR CITAR ALGO QUE NÃO SEJA SEU, CITE SEMPRE O AUTOR.
Quando alguém se apropria de um texto sem dar os créditos ao autor, essa pessoa se apropria de um momento, de uma história que a inspirou, da oscilação dos sentimentos, de trocas íntimas.Ela se apropria de uma transa, de um abraço, de uma vitória, de uma dor, de uma cura e de horas que foram dedicadas à elaboração daquilo. Ela se apropria de uma lembrança, de uma saudade, de uma angústia, de uma solidão, de um talento. Ela se apropria de algo que pode exemplificar exatamente o que ela queria dizer, mas que teria dito de outra forma.Ela não escreve uma história, ela escreve uma farsa.
Por mais que um texto meu pareça fluido ou que eu tenha “facilidade” em escrever, este é um ato solitário e de muita entrega. As palavras são temperamentais e, muitas vezes, arredias. Seduzi-las será sempre um desafio. Compartilhar um texto é um ato de generosidade, porque se compartilha, antes de tudo, uma nudez. E é essa honestidade que tantas vezes desanuvia o coração de alguém que descobriu que não está passando pela mesma situação sozinho. Compartilhar é uma forma de dar calor, de segurar a mão, de fazer um afago, de pedir colo. Por mais simples que seja um texto, ele sempre é fruto de muita leitura, estudo, autoconhecimento, conversa, observação e trabalho. Por isso, o autor merece respeito e consideração. Talvez algumas pessoas não saibam, mas textos são como filhos que a gente solta no mundo, mas todos eles têm uma certidão de nascimento, uma identidade, uma digital.E serão reconhecidos mesmo que desfigurados, porque têm DNA.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A saga do Telemarketing :Totalmente "de grátis" !!!!
.
-Alô.
-Alô –Bom-Dia-Eu-gostaria-de-falar-com-a-sra-Luciane
-Quem fala?
-É do serviço de telemarketing dos CursosTabajara, ela está?
-Porque?
-É do Serviço de Telemarketing dos Cursos Tabajara, senhora.
-Ok, isso eu ja entendi. Perguntei porque.
-Porque oque , senhora?
-Porque você quer saber se a senhora Luciane está .
-Como, Senhora?
-Como o que?
-Eu não entendi, senhora.
-Nem eu.
-Eu gostaria de falar com a sra Luciane, ela está?
-Porque?
-Senhora, porque eu gostaria de falar com ela.
-Porque? Quem garante que você não faz parte de um grupo desses de sequestro relâmpago e está atrás de informações para me sequestrar depois?
-Como, senhora?
-Nao sei como! Eu é que vou saber como essas quadrilhas se organizam?
-Não, Senhora, sou uma atendente do serviço de telemarketing, Senhora.
-Digamos que eu acredite. E aí?
-É a senhora Luciane que está falando?
-Porque?
-Senhora, é que a Senhora Luciane acaba de ser sorteada e vai ganhar totalmente "de grátis" um
curso de informática.
-Hummmm...totalmente "de grátis", foi isso oque você me disse?
-Sim, totalmente "de grátis",senhora. É a Senhora Luciane que está falando?
-Só um segundo.
(12 minutos depois...)
-Pronto. Voltei. Mas preciso te avisar que a partir de agora, nossa conversa está sendo gravada. Qual o seu nome?
-Como, senhora?
-Qual o seu nome, por gentileza?
-Meu nome, senhora?
-É, seu nome.
-Meu nome é Soraia , senhora.
-Com Y ou com I ?
-Como, senhora?
-Como Y ou com I?
-Com i senhora, mas porque?
-Porque o que?
-A senhora perguntou meu nome...
-Soraia de que?
-A senhora quer meu meu nome completo?
-Sim, completo. Porque voce está gaguejando, Soraia?
-Desculpe. É Soraia Campos, senhora.
-CIC e RG.
-Como,senhora?
-Moça, porque você fala “como, senhora” o tempo todo?
-Senhora...
-CIC e RG, são as normas para sua própria segurança, Soraia.
- Senhora, deixe-me falar da promoção...
-CIC e RG, Soraia, senão, não poderemos dar continuidade...
-Ok, senhora, anote: , CIC 19.876.678.30, RG 14.665.556 ssp/sp
(sim, ela passou CIC e RG, e nessa altura Soraia estava meio assustada...)
-Bem, então agora podemos continuar. Quero saber sobre o sorteio que ganhei e do curso de informática que ganhei totalmente de grátis.
-Então, senhora, seu nome foi sorteado e...
-Desculpe, Soraia, mas eu nem sabia que estava concorrendo a algo...Onde é que estava o meu nome pra ser sorteado?
-Na lista de cadastro de uma companhia telefônica, senhora.
-E essa companhia tem autorização para divulgar meu nome e telefone para que eu participe de um sorteio, mesmo que seja pra eu ganhar algo totalmente de grátis?
-Senhora, eu ...
-Devo lembra-la, Soraia, que essa ligação está sendo gravada para nossa segurança, ok?
-Ok....
-E aí?
-Como, senhora?
-Como como, Soraia? De novo, esse como? Tá parecendo um cacoete seu, hein....e atendentes de telemarketing não devem ter vícios de linguagem....
-Desculpe, senhora, mas o que a senhora me perguntou? Estou ficando um pouco confusa....
-Perguntei se essa companhia telefônica tem autorização para divulgar meu nome e telefone, mesmo que seja para participar de um sorteio de um curso de inglês totalmente de grátis.
-Senhora, o curso é de informática.
-Não, vc disse inglês, Soraia.
-Não, senhora, é informática.
-Soraia, você está usando de má fé comigo, só porque no momento em que anunciou o curso eu ainda não estava gravando, NE?
-Não, senhora, o curso que a senhora ganhou inteiramente de grátis é de informática.
-Ok, Soraia, era só isso que eu precisava que você repetisse para que ficasse registrado.
-Como, Senhora?
-Soraia, vamos dar andamento a esse atendimento.
-Sim, senhora.
-Quero saber como a empresa telefônica teve autorização para dar meu nome e telefone pra vcs.
-Senhora, eu não tenho essa informação.
-Entao espere um instante, Soraia, que vou anotar no papel que a atendente de telemarketing Soraia Campos, CIC 19.876.678.30, RG 14.665.556 ssp/SP não soube me informar sobre o premio que ganhei.
-Mas senhora...
-Aguarde na linha, Soraia, vou pegar a agenda pra anotar mais essa observação, nem pense em desligar, tenho seu nome completo, CIC e Rg e sua ligação é muito importante para mim!
(10 minutos depois...)
-Voltei Soraia.
(Soraia estava muda do outro lado da linha...)
-Soraia?
-Sim, Senhora.
-Pode me explicar agora sobre o premio que ganhei inteiramente de grátis.
-É só a senhora passar aqui na Tabajara’s Informatica para assinar os papeis. (Já falando rápido pra finalizar o atendimento e ao mesmo tempo,sem conseguir esconder seu desâmino e aborrecimento..)
-Eu passo aí, assino os papeis e começo a fazer o curso?
-Senhora, para poder usufruir do curso inteiramente grátis, a senhora terá que se inscrever no curso de idiomas e comprar o material também.
-Como é que ééééééééééé???
-Para pode usufruir do curso de informática, a senhora terá que se matricular em um dos cursos de idiomas que temos e comprar o material, senhora.
(Soraia falava baixo, dava para imaginá-la cabisbaixa, mão no queixo, olhar distante...)
-Não, Soraia. Eu quero meu premio que ganhei totalmente de grátis.
-Senhora..
-Não tem senhora, nem meia senhora,vc me ligou, tomou meu tempo, disse que ganhei um premio totalmente de grátis e quero o premio totalmente de gratis.
-Mas senhora, paraterdireitoaopremioasenhoratemquepagarpelomaterialeaindamatricular-senumcursodeidiomas, senhora!
(Soraia estava auditivelmente alterada)
-Não senhora!!! Eu quero minha parte do grátis, Soraia!
-Senhora...(Soraia ameaçava um quase choro a essa altura)
-Soraia, vou aí fazer o curso sem o material mesmo. Sou praticamente autodidata e quanto ao curso de línguas, matricule-se você. Eu já sou poliglota. Morei em todas as partes do universo intergalactico, não preciso de curso de língua nenhuma e não quero, não quero, só quero meu premio, Soraia.
-Senhora, por favor..... (tenho certeza que era um chorinho de leve que eu ouvia ao fundo....)
-Você disse que eu ganhei um premio totalmente de grátis e se é totalmente, não está atrelado a nada. Totalmente, Soraia, é sem nenhum obstáculo, é total!!!!
-Senhora, por favor....
-Por favor o que , Soraia? Em que posso te ajudar?
-Senhora, eu posso retornar a ligação mais tarde? Estamos com problemas no sistema operacional.
-Sei, mas qual o melhor horário pra eu te encontrar aí no serviço de telemarketing, Soraia? Alô? Soraia?? Soraia, minha querida....Soraia??????
(aí sim eu ouvi nitidamente uns urros entre um choro compulsivo seguidos finalmente pelo Bip...Bip..Bip...Bip..Bip... Imagino que Soraia, depois dessa, pediu demissão e foi fazer um curso livre de brincos e pulseirinhas de couro pra vender na Praça da Sé. Mas , como o mundo é um ovo de codorna, pode ser que a Soraia leia essa crônica e se lembre do ocorrido, pois o primeiro nome, não é fictício: é Soraia mesmo. Então, caso isso aconteça, vai aí meu recado: Soraia,onde quer que voce se encontre, tá suuuper barato pra fazer um 21! Me liga, hein! )
-Alô.
-Alô –Bom-Dia-Eu-gostaria-de-falar-com-a-sra-Luciane
-Quem fala?
-É do serviço de telemarketing dos CursosTabajara, ela está?
-Porque?
-É do Serviço de Telemarketing dos Cursos Tabajara, senhora.
-Ok, isso eu ja entendi. Perguntei porque.
-Porque oque , senhora?
-Porque você quer saber se a senhora Luciane está .
-Como, Senhora?
-Como o que?
-Eu não entendi, senhora.
-Nem eu.
-Eu gostaria de falar com a sra Luciane, ela está?
-Porque?
-Senhora, porque eu gostaria de falar com ela.
-Porque? Quem garante que você não faz parte de um grupo desses de sequestro relâmpago e está atrás de informações para me sequestrar depois?
-Como, senhora?
-Nao sei como! Eu é que vou saber como essas quadrilhas se organizam?
-Não, Senhora, sou uma atendente do serviço de telemarketing, Senhora.
-Digamos que eu acredite. E aí?
-É a senhora Luciane que está falando?
-Porque?
-Senhora, é que a Senhora Luciane acaba de ser sorteada e vai ganhar totalmente "de grátis" um
curso de informática.
-Hummmm...totalmente "de grátis", foi isso oque você me disse?
-Sim, totalmente "de grátis",senhora. É a Senhora Luciane que está falando?
-Só um segundo.
(12 minutos depois...)
-Pronto. Voltei. Mas preciso te avisar que a partir de agora, nossa conversa está sendo gravada. Qual o seu nome?
-Como, senhora?
-Qual o seu nome, por gentileza?
-Meu nome, senhora?
-É, seu nome.
-Meu nome é Soraia , senhora.
-Com Y ou com I ?
-Como, senhora?
-Como Y ou com I?
-Com i senhora, mas porque?
-Porque o que?
-A senhora perguntou meu nome...
-Soraia de que?
-A senhora quer meu meu nome completo?
-Sim, completo. Porque voce está gaguejando, Soraia?
-Desculpe. É Soraia Campos, senhora.
-CIC e RG.
-Como,senhora?
-Moça, porque você fala “como, senhora” o tempo todo?
-Senhora...
-CIC e RG, são as normas para sua própria segurança, Soraia.
- Senhora, deixe-me falar da promoção...
-CIC e RG, Soraia, senão, não poderemos dar continuidade...
-Ok, senhora, anote: , CIC 19.876.678.30, RG 14.665.556 ssp/sp
(sim, ela passou CIC e RG, e nessa altura Soraia estava meio assustada...)
-Bem, então agora podemos continuar. Quero saber sobre o sorteio que ganhei e do curso de informática que ganhei totalmente de grátis.
-Então, senhora, seu nome foi sorteado e...
-Desculpe, Soraia, mas eu nem sabia que estava concorrendo a algo...Onde é que estava o meu nome pra ser sorteado?
-Na lista de cadastro de uma companhia telefônica, senhora.
-E essa companhia tem autorização para divulgar meu nome e telefone para que eu participe de um sorteio, mesmo que seja pra eu ganhar algo totalmente de grátis?
-Senhora, eu ...
-Devo lembra-la, Soraia, que essa ligação está sendo gravada para nossa segurança, ok?
-Ok....
-E aí?
-Como, senhora?
-Como como, Soraia? De novo, esse como? Tá parecendo um cacoete seu, hein....e atendentes de telemarketing não devem ter vícios de linguagem....
-Desculpe, senhora, mas o que a senhora me perguntou? Estou ficando um pouco confusa....
-Perguntei se essa companhia telefônica tem autorização para divulgar meu nome e telefone, mesmo que seja para participar de um sorteio de um curso de inglês totalmente de grátis.
-Senhora, o curso é de informática.
-Não, vc disse inglês, Soraia.
-Não, senhora, é informática.
-Soraia, você está usando de má fé comigo, só porque no momento em que anunciou o curso eu ainda não estava gravando, NE?
-Não, senhora, o curso que a senhora ganhou inteiramente de grátis é de informática.
-Ok, Soraia, era só isso que eu precisava que você repetisse para que ficasse registrado.
-Como, Senhora?
-Soraia, vamos dar andamento a esse atendimento.
-Sim, senhora.
-Quero saber como a empresa telefônica teve autorização para dar meu nome e telefone pra vcs.
-Senhora, eu não tenho essa informação.
-Entao espere um instante, Soraia, que vou anotar no papel que a atendente de telemarketing Soraia Campos, CIC 19.876.678.30, RG 14.665.556 ssp/SP não soube me informar sobre o premio que ganhei.
-Mas senhora...
-Aguarde na linha, Soraia, vou pegar a agenda pra anotar mais essa observação, nem pense em desligar, tenho seu nome completo, CIC e Rg e sua ligação é muito importante para mim!
(10 minutos depois...)
-Voltei Soraia.
(Soraia estava muda do outro lado da linha...)
-Soraia?
-Sim, Senhora.
-Pode me explicar agora sobre o premio que ganhei inteiramente de grátis.
-É só a senhora passar aqui na Tabajara’s Informatica para assinar os papeis. (Já falando rápido pra finalizar o atendimento e ao mesmo tempo,sem conseguir esconder seu desâmino e aborrecimento..)
-Eu passo aí, assino os papeis e começo a fazer o curso?
-Senhora, para poder usufruir do curso inteiramente grátis, a senhora terá que se inscrever no curso de idiomas e comprar o material também.
-Como é que ééééééééééé???
-Para pode usufruir do curso de informática, a senhora terá que se matricular em um dos cursos de idiomas que temos e comprar o material, senhora.
(Soraia falava baixo, dava para imaginá-la cabisbaixa, mão no queixo, olhar distante...)
-Não, Soraia. Eu quero meu premio que ganhei totalmente de grátis.
-Senhora..
-Não tem senhora, nem meia senhora,vc me ligou, tomou meu tempo, disse que ganhei um premio totalmente de grátis e quero o premio totalmente de gratis.
-Mas senhora, paraterdireitoaopremioasenhoratemquepagarpelomaterialeaindamatricular-senumcursodeidiomas, senhora!
(Soraia estava auditivelmente alterada)
-Não senhora!!! Eu quero minha parte do grátis, Soraia!
-Senhora...(Soraia ameaçava um quase choro a essa altura)
-Soraia, vou aí fazer o curso sem o material mesmo. Sou praticamente autodidata e quanto ao curso de línguas, matricule-se você. Eu já sou poliglota. Morei em todas as partes do universo intergalactico, não preciso de curso de língua nenhuma e não quero, não quero, só quero meu premio, Soraia.
-Senhora, por favor..... (tenho certeza que era um chorinho de leve que eu ouvia ao fundo....)
-Você disse que eu ganhei um premio totalmente de grátis e se é totalmente, não está atrelado a nada. Totalmente, Soraia, é sem nenhum obstáculo, é total!!!!
-Senhora, por favor....
-Por favor o que , Soraia? Em que posso te ajudar?
-Senhora, eu posso retornar a ligação mais tarde? Estamos com problemas no sistema operacional.
-Sei, mas qual o melhor horário pra eu te encontrar aí no serviço de telemarketing, Soraia? Alô? Soraia?? Soraia, minha querida....Soraia??????
(aí sim eu ouvi nitidamente uns urros entre um choro compulsivo seguidos finalmente pelo Bip...Bip..Bip...Bip..Bip... Imagino que Soraia, depois dessa, pediu demissão e foi fazer um curso livre de brincos e pulseirinhas de couro pra vender na Praça da Sé. Mas , como o mundo é um ovo de codorna, pode ser que a Soraia leia essa crônica e se lembre do ocorrido, pois o primeiro nome, não é fictício: é Soraia mesmo. Então, caso isso aconteça, vai aí meu recado: Soraia,onde quer que voce se encontre, tá suuuper barato pra fazer um 21! Me liga, hein! )
segunda-feira, 17 de maio de 2010
RELICÁRIOS DA NOSSA INFÂNCIA!
ESTOU POSTANDO AS MINHAS MELHORES RECORDAÇÕES DE COMERCIAIS.
EMBORA EU VEJA E CHORE, ESPERO QUE VOCÊS SE DIVIRTAM!!!!
EMBORA EU VEJA E CHORE, ESPERO QUE VOCÊS SE DIVIRTAM!!!!
E PRA FECHAR A SESSÃO NOSTALGIA....
NAO CONSEGUI ACHAR A PROPAGANDA, MAS SE ALGUÉM CONSEGUIR, GANHA UM POEMINHA!
VAI ENTÃO O TEXTO, QUE A DAVIANE IMITAVA TOOODA VEZ QUE A GENTE PEDIA, E FAZIA CARINHA IGUALZINHA DA MENININHA! AÍ VAI!
" Mãe, eu não sou gente grande.
Olha a minha pele:
Ela é tãããão macia!
E tem dobrinhas que a sua nao tem.
E o meu cabelinho,
Também não é igual o seu!
Passa a mão pra voce ver como é fininho!
O que eu preciso, são dos produtos da Mônica!
Eles são feitos só pra mim!
Eu gosto taaanto deles!
Ah, mãe, me faz esse carinho ?!"
http://radioglobo.globoradio.globo.com/planeta-rei-nas-ondas-da-globo/2010/05/13/MAE-ME-FAZ-ESSE-CARINHO.htm
VAI ENTÃO O TEXTO, QUE A DAVIANE IMITAVA TOOODA VEZ QUE A GENTE PEDIA, E FAZIA CARINHA IGUALZINHA DA MENININHA! AÍ VAI!
" Mãe, eu não sou gente grande.
Olha a minha pele:
Ela é tãããão macia!
E tem dobrinhas que a sua nao tem.
E o meu cabelinho,
Também não é igual o seu!
Passa a mão pra voce ver como é fininho!
O que eu preciso, são dos produtos da Mônica!
Eles são feitos só pra mim!
Eu gosto taaanto deles!
Ah, mãe, me faz esse carinho ?!"
http://radioglobo.globoradio.globo.com/planeta-rei-nas-ondas-da-globo/2010/05/13/MAE-ME-FAZ-ESSE-CARINHO.htm
DEPUTADA CIDINHA CAMPOS
(Meus agradecimentos ao Tio Pedro, que me enviou esse vídeo)
NUNCA SENTI PRAZER EM FALAR SOBRE POLÍTICA.
POSSIVELMENTE PORQUE SOU DAQUELE TIPO DE PESSOA QUE FICA NERVOSA AO ASSISTIR O FRAJOLA QUERENDO COMER O PIU-PIU, TENHO AVERSÃO A VER ROCK , O LUTADOR E AQUELE FILME....ANTES SÓ DO QUE MAL CASADO, COM BEN STILLER, ME DEIXA NERVOSA COM AQUELA TEIA DE MENTIRAS QUE PARECE NAO TER FIM.
MAS ESSE VIDEO, EU PRECISO PUBLICAR.
QUISERA QUE ESSE BLOG FOSSE TÃO POPULAR QUANTO AO DA BBB QUE FAZ XUPETINHA EMBAIXO DO EDREDON PARA ALEGRIA DO BRASIL INTEIRO, PELO MENOS EU SABERIA QUE MILHARES DE PESSOAS TERIAM ACESSO A ELE.
MAS SE UMA UNICA PESSOA VIR ESSE VIDEO E DELE TIRAR ALGUM PROVEITO, JÁ ME DAREI POR SATISFEITA.
E PONTO.
sábado, 8 de maio de 2010
CICATRIZES
(Meus agradecimentos à Bordunga, que gentilmente me enviou o vídeo)
Quando eu era criança, ou pra ser mais exata, quando meu HD era praticamente vazio, vivia esfolada. Era um galo na testa, tampa do dedão estraçalhado, bicho de pé, bicho geográfico , e meu joelho vivia invariavelmente ralado. E quando eu caía, era ali, bem ali, que machucava. Lembro da minha mãe dizendo: Mas tinha tanto lugar pra você machucar e foi cair justo com o joelho machucado?
É que fui apresentada desde pequena à Lei da Desvantagem, minha companheira íntima.. Além do quê, eu não sabia como deixar o joelho em casa e brincar somente com o resto do corpo são. Isso era coisa pra Mulher Maravilha, com sua bota vermelha e capa com a bandeira americana.Eu não dominava essas técnicas .
O fato é que eu ficava gripada sempre na véspera de sairmos de férias e sempre, sempre na volta às aulas, pegava piolho. Uma vez tive a idéia piromática (sim, acabei de inventar a palavra. Anote e manda pro aurelioonline acrescentar lá) de lascar fogo num pedaço de plástico preto que cobria algum móvel do quintal. Óbvio , pegou fogo e caiu uma gota desse plástico derretido onde? Bem em cima do meu dedo. O anelar ficou com um mapa do Brasil de ponta cabeça. Achei lindo aquilo.
Um dia meu mico fugiu. Fiquei doente, tive febre, aquelas coisas todas de criança xarope. O mico voltou, acharam o mico. Quando fui pega-lo, como sempre fazia, ele simplesmente fez o que? Mordeu meu dedo. Foi quando o pai de todos resolveu acompanhar o anelar. O mico , não sei que fim teve , mas seus dentinhos ficaram pra sempre eternizados na minha pequena mão de menina.
O tempo passou e outras cicatrizes foram surgindo....danos fatais de momentos vivenciados que me fizeram chorar, e deixaram devidamente registrado em meu corpo a sua passagem por mim. Evidente que não gosto de cicatrizes pelo conceito estético, não sejamos hipócritas. Mas orgulho-me de cada uma delas. Porque eu fui, eu dei a cara tapa, subi mesmo no pé de goiaba pra não tomar benzetacil na bunda, matei galinha a pauladas, pulei fogueira em festa junina, dei uma banana pra hipocrisia que assola o universo e tratei de ser feliz e se isso me trouxe marcas, essas marcas me lembram que eu de fato, vivi!
Mas confesso que existe um tipo ainda mais amargo de ferida: são aquelas que levamos na alma. São essas as mais profundas, as feridas que vão fundo, as cicatrizes do mundo. A bofetada que mais machuca, não é aquela da briga na saída da escola, mas sim a vinda de alguém que amamos, que sempre quisemos proteger, defender, estender a mão. Essa faz nascer as cicatrizes que causam vexame a estética interior! A essas cicatrizes, não há recursos, não há plásticas ou maquiagem que dê jeito. A gente leva junto. Pra todo canto do mundo, ela estará lá. Nos momentos de alegria, ela estará lá. Nos momentos de solidão, ela estará lá.
Mas isso também não é ruim....Porque enquanto as cicatrizes do corpo nos contam historias da vida vivida e das dificuldades superadas, as cicatrizes da alma nos lembram que devemos sim, perdoar sempre. Mas guardar o nome pra inclui-lo na lista de orações diárias, para que os formadores de cicatrizes de plantão sejam muito felizes. Muito, muito longe de mim. Amém.
Quando eu era criança, ou pra ser mais exata, quando meu HD era praticamente vazio, vivia esfolada. Era um galo na testa, tampa do dedão estraçalhado, bicho de pé, bicho geográfico , e meu joelho vivia invariavelmente ralado. E quando eu caía, era ali, bem ali, que machucava. Lembro da minha mãe dizendo: Mas tinha tanto lugar pra você machucar e foi cair justo com o joelho machucado?
É que fui apresentada desde pequena à Lei da Desvantagem, minha companheira íntima.. Além do quê, eu não sabia como deixar o joelho em casa e brincar somente com o resto do corpo são. Isso era coisa pra Mulher Maravilha, com sua bota vermelha e capa com a bandeira americana.Eu não dominava essas técnicas .
O fato é que eu ficava gripada sempre na véspera de sairmos de férias e sempre, sempre na volta às aulas, pegava piolho. Uma vez tive a idéia piromática (sim, acabei de inventar a palavra. Anote e manda pro aurelioonline acrescentar lá) de lascar fogo num pedaço de plástico preto que cobria algum móvel do quintal. Óbvio , pegou fogo e caiu uma gota desse plástico derretido onde? Bem em cima do meu dedo. O anelar ficou com um mapa do Brasil de ponta cabeça. Achei lindo aquilo.
Um dia meu mico fugiu. Fiquei doente, tive febre, aquelas coisas todas de criança xarope. O mico voltou, acharam o mico. Quando fui pega-lo, como sempre fazia, ele simplesmente fez o que? Mordeu meu dedo. Foi quando o pai de todos resolveu acompanhar o anelar. O mico , não sei que fim teve , mas seus dentinhos ficaram pra sempre eternizados na minha pequena mão de menina.
O tempo passou e outras cicatrizes foram surgindo....danos fatais de momentos vivenciados que me fizeram chorar, e deixaram devidamente registrado em meu corpo a sua passagem por mim. Evidente que não gosto de cicatrizes pelo conceito estético, não sejamos hipócritas. Mas orgulho-me de cada uma delas. Porque eu fui, eu dei a cara tapa, subi mesmo no pé de goiaba pra não tomar benzetacil na bunda, matei galinha a pauladas, pulei fogueira em festa junina, dei uma banana pra hipocrisia que assola o universo e tratei de ser feliz e se isso me trouxe marcas, essas marcas me lembram que eu de fato, vivi!
Mas confesso que existe um tipo ainda mais amargo de ferida: são aquelas que levamos na alma. São essas as mais profundas, as feridas que vão fundo, as cicatrizes do mundo. A bofetada que mais machuca, não é aquela da briga na saída da escola, mas sim a vinda de alguém que amamos, que sempre quisemos proteger, defender, estender a mão. Essa faz nascer as cicatrizes que causam vexame a estética interior! A essas cicatrizes, não há recursos, não há plásticas ou maquiagem que dê jeito. A gente leva junto. Pra todo canto do mundo, ela estará lá. Nos momentos de alegria, ela estará lá. Nos momentos de solidão, ela estará lá.
Mas isso também não é ruim....Porque enquanto as cicatrizes do corpo nos contam historias da vida vivida e das dificuldades superadas, as cicatrizes da alma nos lembram que devemos sim, perdoar sempre. Mas guardar o nome pra inclui-lo na lista de orações diárias, para que os formadores de cicatrizes de plantão sejam muito felizes. Muito, muito longe de mim. Amém.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
. . . . " SAUDADE DÓI, MÃE..."
ANTES DESSA CONVERSA, ESTÁVAMOS COM A CAM LIGADA, MAS O CHORO IMPEDIU QUE CONTINUÁSSEMOS:
Daviane ... Em paz! diz:
to saindo
So vou dizer a ultima frase dela agora:
“EU to com saudade da Lú que não passa a dor.
não para de doer, mãe”
Luciane diz:
AI MEU DEUS,,,,,
Daviane ... Em paz! diz:
estamos soluçando...
Luciane diz:
Eu também.
Diz que eu amo, e que não me conformo de ter acontecido justo agora.
Saudade dói, Sarinha, dói aí e dói aqui mamém! MAs a gente vai matar essa malvada dessa saudade...
Daviane ... Em paz! diz:
“mãe.. eu to chorando, e não é que nem eu choro quando eu não quero comer comida, mãe..
agora eu to chorando pq não passa a saudade, mãe, tá doendo...”
Luciane diz:
ai, meu Deus...
Daviane ... Em paz! diz:
ta me dando falta dar
juro por deus
to indo deitar com ela
Luciane diz:
tá, o ar tá difícil de entrar..
Daviane ... Em paz! diz:
hj o Burga dorme na sala
fico com ela
Xau...
Luciane diz:
Durmam com Deus, não esquece de explicar a ela o quanto eu queria poder ir...e que a festa dela será a mais linda, e que ela é minha Barbie Butterfly preferida, de asas rosa e roxo, muito roxo.
Daviane ... Em paz! diz:
pode deixar
fica bem também e se cuida
xau
Luciane diz:
Tchau...
POR MAIS DIFÍCIL QUE SEJA A VIDA, E SE NÃO TIVESSE MAIS NENHUMA ÚNICA ALMA NO MUNDO QUE ME AMASSE, EU VIVERIA FELIZ E HONRADA, ATÉ O ÚLTIMO DIA, PORQUE SEU AMOR, SARINHA, ME ALIMENTA A ALMA. NÃO CHORA, MEU BEM....E NUNCA SE ESQUEÇA QUE VOCÊ É MINHA OURO BRANCO E QUE EU TE AMO, E A SAUDADE DÓI NO MEU PEITO MAMÉM....
Daviane ... Em paz! diz:
to saindo
So vou dizer a ultima frase dela agora:
“EU to com saudade da Lú que não passa a dor.
não para de doer, mãe”
Luciane diz:
AI MEU DEUS,,,,,
Daviane ... Em paz! diz:
estamos soluçando...
Luciane diz:
Eu também.
Diz que eu amo, e que não me conformo de ter acontecido justo agora.
Saudade dói, Sarinha, dói aí e dói aqui mamém! MAs a gente vai matar essa malvada dessa saudade...
Daviane ... Em paz! diz:
“mãe.. eu to chorando, e não é que nem eu choro quando eu não quero comer comida, mãe..
agora eu to chorando pq não passa a saudade, mãe, tá doendo...”
Luciane diz:
ai, meu Deus...
Daviane ... Em paz! diz:
ta me dando falta dar
juro por deus
to indo deitar com ela
Luciane diz:
tá, o ar tá difícil de entrar..
Daviane ... Em paz! diz:
hj o Burga dorme na sala
fico com ela
Xau...
Luciane diz:
Durmam com Deus, não esquece de explicar a ela o quanto eu queria poder ir...e que a festa dela será a mais linda, e que ela é minha Barbie Butterfly preferida, de asas rosa e roxo, muito roxo.
Daviane ... Em paz! diz:
pode deixar
fica bem também e se cuida
xau
Luciane diz:
Tchau...
POR MAIS DIFÍCIL QUE SEJA A VIDA, E SE NÃO TIVESSE MAIS NENHUMA ÚNICA ALMA NO MUNDO QUE ME AMASSE, EU VIVERIA FELIZ E HONRADA, ATÉ O ÚLTIMO DIA, PORQUE SEU AMOR, SARINHA, ME ALIMENTA A ALMA. NÃO CHORA, MEU BEM....E NUNCA SE ESQUEÇA QUE VOCÊ É MINHA OURO BRANCO E QUE EU TE AMO, E A SAUDADE DÓI NO MEU PEITO MAMÉM....
domingo, 2 de maio de 2010
Uma fase tipo assim...Deprê! ( Parte IV)
ADAPTAÇÕES
s.f. Ação de adaptar; resultado desta ação. / Arranjo, adequação de uma obra estrangeira que, além da tradução, implica modificações do texto original. / Correspondência, nos seres vivos, entre a forma e a estrutura de um órgão e suas funções: adaptação das patas do cavalo para a corrida. / Integração de uma pessoa ao ambiente onde se encontra: a adaptação escolar de uma criança. / Esforço para realizar esta integração: a inteligência humana é uma constante adaptação. // Adaptação ao meio, ação modificadora dos fatores externos sobre o comportamento e a estrutura dos organismos vivos: adaptação das plantas ao clima seco.
Esse é um tema interessante para o atual momento...
Incrível como a gente se adapta, né mesmo?
Na primeira vez que me furaram pra colocar o soro, eu pedi delicadamente: Ai, por favor, poe com carinho, viu? Depois da quinta injeção, a conversa mudou um pouquinho: Vai-te à merda e leva essas seringas junto que eu já to mais pra uma peneira do que pra uma menina!
Aí tem o lance dos medicamentos de 5 em 5 minutos. Enfermeiros educados batem a porta, abrem devagar e dizem: Dá licença? Preciso te acordar pra poder medica-la.
E você responde: Ah, imagina, eu nem tava dormindo!
Lá pelas tantas, quando ele pede licença pela 1.000ª vez, você já perdeu a educação e responde: Viu,dispensa esse line-up, me traz um doce, que to saindo do chill-out e vou cair na vibe do rebolation, afinal, a noite É realmente uma criança. Com insônia.
Você não entendeu? Mas os enfermeiros entendem.
Ah, não posso me esquecer da saga da comadre. Pra mim, até pouquíssimo tempo atrás, fazer xixi na comadre era dar uma passadinha na casa da Téia. Hoje sei que não é bem isso... Voce levanta a cabeceira da cama através de um painel digital igualzinho ao da cama da Luciana, pega o controlinho lá e bipa a enfermaria e lá vem ele, o enfermeiro novamente, aquele que não te trouxe o doce, mas muito solícito, está ali a sua disposição: Quero fazer xixí, vc pode me ajudar a levantar da cama?
Não, infelizmente você hoje não levanta.Vou pegar a comadre, tá?
Gente, como assim, pegar a comadre? Menino, minha comadre mora em Bauru, tem marido, filhos, emprego....Não, você vai fazer xixi na comadre. Pode deixar que eu te ajudo.
Viu....visualizou? Imagine essa criatura que vos escreve, envolvida num pânico duplo, triplo, de ter que mostrar a bunda a um estranho, fazer xixi deitada e ainda por cima em algo que se chama comadre. Botei-me a chorar, claro! Afinal, em situações emergenciais, costuma funcionar.
Máá quêê, máá Váá ! A logística de um hospital não permite esse tipo de solidariedade. Foi então que fui obrigada a aumentar a minúscula lista de homens a me ver peladona.
Fiquei chateada,mas em poucas horas, a lista estava maior que a de Schindler e já não havia em mim nenhum tipo de pudor, nem vergonha nem nada.
Mas o problema de fazer xixi deitada é simplesmente inenarrável. Só quem passou é que sabe. A pobre criatura chega a ficar horas ali, filosofando, entra enfermeiro, sai enfermeiro e nada. Até que um de paviu mais curto entra e diz: Se você não consegue, vou ter que colocar a sonda. Homem rapáiz, que o xixi saiu foi na mesma hora! Vá de retro com essa sonda...Não tava mesmo me faltando nada.....
Eu que penso! Era só uma questão de esperar o dia amanhecer.....
A ALTA
Eis que o dia amanheceu, mas não foi em paz.
Mas fiquei tão feliz em poder fazer xixi no vaso solitário! ( Jo, preferia que fosse no seu, à luz do sol, mas sendo sentada já estava de bom tamanho!)
Tomei meu café da manhã que nada mais era que leite, café, um micro pão de leite e um pedaço de bolo. Um verdadeiro banquete para quem estava sem comer há mais de 40 horas. Me lembrei da companheira do dia anterior e “carquei açúcar” no pingado.
Tomei meu banho, nem há palavras pra sensação maravilhosa que é sentir a água caindo quente sobre seu corpo...Lava a alma!
Estava lá, calma e mansa como sempre, peladona, escovando os dentes,já que dentro do banheiro, imagina-se haver uma certa privacidade! E por causa dos pontos, queria me secar sem me mexer muito, sem muita fricção. Eis então que surge o médico.
Assim, na maior naturalidade, como se estivéssemos em Tambaba ou Woodstock, ele entrou, ignorando totalmente a situação em que me encontrava, e disse: Gisele, acabou a mamata. Você está de alta. (eu gostava dele me chamar de Gisele, pois parecia que nem era comigo....)
Ai que pena, né, que acabou a mamata...Vou ter que me despedir dos enfermeiros, da cama da Luciana, e até mesmo da querida comadre....Claro que na hora, não pensei em nada disso, pois estava tentando agir com naturalidade, tentando alcançar despretensiosamente a toalha e me cobrir um pouco que fosse.
O médico foi, a vergonha permaneceu. Mas logo pensei: Meeeo, se metade dos enfermeiros já viram sua bunda, o que é que tem o médico também ver? Mais uma vez me lembrei da companheira de quarto : pra quem tá cagada mesmo, o que é que tem sentar na bosta?
Me sequei, me vesti, me despedi de todos e fiquei feliz ao ver a carinha do meu mau humorado preferido me esperando com um sorriso.
A meus poucos leitores, que lêem, se cansam, detestam ou adoram , mas quase nunca deixam coments, fica minha exclamação: como é bom comer!....como o cheiro do café pela manhã é deliciante!...Como é bom poder se levantar pela manhã!....como é bom tomar banho! Não, vamos combinar que banho é tudo de bom nessa vida, né?
Como é bom poder conversar , olhando dentro dos olhos das pessoas e poder ver sua beleza de fora e de dentro!... Como é bom deitar-se cansada pelas atividades do dia!... Como é bom fazer xixi sentada!
E foi sobre essas adaptações ,que muitas vezes somos forçados a encarar, que esse texto discorreu .
E por mais difíceis que elas sejam (e são!), no final, o que podemos constatar é que viver é bom! Nós é que não prestamos atenção.
(PRECISO DE UMA BANANA SPLIT)
s.f. Ação de adaptar; resultado desta ação. / Arranjo, adequação de uma obra estrangeira que, além da tradução, implica modificações do texto original. / Correspondência, nos seres vivos, entre a forma e a estrutura de um órgão e suas funções: adaptação das patas do cavalo para a corrida. / Integração de uma pessoa ao ambiente onde se encontra: a adaptação escolar de uma criança. / Esforço para realizar esta integração: a inteligência humana é uma constante adaptação. // Adaptação ao meio, ação modificadora dos fatores externos sobre o comportamento e a estrutura dos organismos vivos: adaptação das plantas ao clima seco.
Esse é um tema interessante para o atual momento...
Incrível como a gente se adapta, né mesmo?
Na primeira vez que me furaram pra colocar o soro, eu pedi delicadamente: Ai, por favor, poe com carinho, viu? Depois da quinta injeção, a conversa mudou um pouquinho: Vai-te à merda e leva essas seringas junto que eu já to mais pra uma peneira do que pra uma menina!
Aí tem o lance dos medicamentos de 5 em 5 minutos. Enfermeiros educados batem a porta, abrem devagar e dizem: Dá licença? Preciso te acordar pra poder medica-la.
E você responde: Ah, imagina, eu nem tava dormindo!
Lá pelas tantas, quando ele pede licença pela 1.000ª vez, você já perdeu a educação e responde: Viu,dispensa esse line-up, me traz um doce, que to saindo do chill-out e vou cair na vibe do rebolation, afinal, a noite É realmente uma criança. Com insônia.
Você não entendeu? Mas os enfermeiros entendem.
Ah, não posso me esquecer da saga da comadre. Pra mim, até pouquíssimo tempo atrás, fazer xixi na comadre era dar uma passadinha na casa da Téia. Hoje sei que não é bem isso... Voce levanta a cabeceira da cama através de um painel digital igualzinho ao da cama da Luciana, pega o controlinho lá e bipa a enfermaria e lá vem ele, o enfermeiro novamente, aquele que não te trouxe o doce, mas muito solícito, está ali a sua disposição: Quero fazer xixí, vc pode me ajudar a levantar da cama?
Não, infelizmente você hoje não levanta.Vou pegar a comadre, tá?
Gente, como assim, pegar a comadre? Menino, minha comadre mora em Bauru, tem marido, filhos, emprego....Não, você vai fazer xixi na comadre. Pode deixar que eu te ajudo.
Viu....visualizou? Imagine essa criatura que vos escreve, envolvida num pânico duplo, triplo, de ter que mostrar a bunda a um estranho, fazer xixi deitada e ainda por cima em algo que se chama comadre. Botei-me a chorar, claro! Afinal, em situações emergenciais, costuma funcionar.
Máá quêê, máá Váá ! A logística de um hospital não permite esse tipo de solidariedade. Foi então que fui obrigada a aumentar a minúscula lista de homens a me ver peladona.
Fiquei chateada,mas em poucas horas, a lista estava maior que a de Schindler e já não havia em mim nenhum tipo de pudor, nem vergonha nem nada.
Mas o problema de fazer xixi deitada é simplesmente inenarrável. Só quem passou é que sabe. A pobre criatura chega a ficar horas ali, filosofando, entra enfermeiro, sai enfermeiro e nada. Até que um de paviu mais curto entra e diz: Se você não consegue, vou ter que colocar a sonda. Homem rapáiz, que o xixi saiu foi na mesma hora! Vá de retro com essa sonda...Não tava mesmo me faltando nada.....
Eu que penso! Era só uma questão de esperar o dia amanhecer.....
A ALTA
Eis que o dia amanheceu, mas não foi em paz.
Mas fiquei tão feliz em poder fazer xixi no vaso solitário! ( Jo, preferia que fosse no seu, à luz do sol, mas sendo sentada já estava de bom tamanho!)
Tomei meu café da manhã que nada mais era que leite, café, um micro pão de leite e um pedaço de bolo. Um verdadeiro banquete para quem estava sem comer há mais de 40 horas. Me lembrei da companheira do dia anterior e “carquei açúcar” no pingado.
Tomei meu banho, nem há palavras pra sensação maravilhosa que é sentir a água caindo quente sobre seu corpo...Lava a alma!
Estava lá, calma e mansa como sempre, peladona, escovando os dentes,já que dentro do banheiro, imagina-se haver uma certa privacidade! E por causa dos pontos, queria me secar sem me mexer muito, sem muita fricção. Eis então que surge o médico.
Assim, na maior naturalidade, como se estivéssemos em Tambaba ou Woodstock, ele entrou, ignorando totalmente a situação em que me encontrava, e disse: Gisele, acabou a mamata. Você está de alta. (eu gostava dele me chamar de Gisele, pois parecia que nem era comigo....)
Ai que pena, né, que acabou a mamata...Vou ter que me despedir dos enfermeiros, da cama da Luciana, e até mesmo da querida comadre....Claro que na hora, não pensei em nada disso, pois estava tentando agir com naturalidade, tentando alcançar despretensiosamente a toalha e me cobrir um pouco que fosse.
O médico foi, a vergonha permaneceu. Mas logo pensei: Meeeo, se metade dos enfermeiros já viram sua bunda, o que é que tem o médico também ver? Mais uma vez me lembrei da companheira de quarto : pra quem tá cagada mesmo, o que é que tem sentar na bosta?
Me sequei, me vesti, me despedi de todos e fiquei feliz ao ver a carinha do meu mau humorado preferido me esperando com um sorriso.
A meus poucos leitores, que lêem, se cansam, detestam ou adoram , mas quase nunca deixam coments, fica minha exclamação: como é bom comer!....como o cheiro do café pela manhã é deliciante!...Como é bom poder se levantar pela manhã!....como é bom tomar banho! Não, vamos combinar que banho é tudo de bom nessa vida, né?
Como é bom poder conversar , olhando dentro dos olhos das pessoas e poder ver sua beleza de fora e de dentro!... Como é bom deitar-se cansada pelas atividades do dia!... Como é bom fazer xixi sentada!
E foi sobre essas adaptações ,que muitas vezes somos forçados a encarar, que esse texto discorreu .
E por mais difíceis que elas sejam (e são!), no final, o que podemos constatar é que viver é bom! Nós é que não prestamos atenção.
(PRECISO DE UMA BANANA SPLIT)
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