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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Que porre, hein...


                                                   


Eu, na condição de curiosa, em  que me classifico, vivo fuçando textos, garimpando alguma coisa atual que seja interessante e que saia do lugar comum.
O que mais tenho encontrado, são blogs de pessoas se auto -promovendo, falando de suas inesgotáveis qualidades, e do quanto são felizes e especiais para si mesmas e para o mundo que as cerca.
Gente,  me poupem.
Queremos ler textos de pessoas normais, reais , concretas.
Eu sou uma pessoa que adora coca cola e por isso tenho celulite.
Com o passar dos anos, minha cintura , assim como meus braços, estão engrossando.
Vou fazer lipo assim que as finanças permitirem, pois sou fútil, gosto de me sentir bonita.
Adoro ter meus cabelos lisinhos, com aquele movimento que só o cabeleireiro sabe proporcionar.
Mas faço escova em casa pra economizar a grana e poder comprar livros ou alugar bons filmes.
Adoro perfume, mas só os importados, desculpem, não sou humilde.
Sou impaciente, intransigente, espero sempre a perfeição de mim e do outro.
Mas  não sou perfeita.
Jogo os cabelos que caem no chão do box  pelo vitrô.
Deixo pra estudar na véspera e passo todo meu tempo de sobra lendo livros que acho horríveis e densos , mas que depois, me deixam uma bagagem imensa, porém, não sei onde utiliza-la.
Gosto de muita gente, sinto saudades, mas a recíproca nem sempre é verdadeira.
Acordo de olhos inchados, parecendo uma monstra e isso tira meu foco da magia que é ver o despertar do sol.
Compro coca cola no posto, tomo dois goles e fico procurando alguma criança no sinal, morta de sede pra dar a latinha. Mas só as encontro quando não tenho  nem uma moeda a oferecer e isso me irrita.
Brigo e não peço desculpas nunca. O máximo que consigo fazer, é me reaproximar, com cara de tacho.
Em momentos  de estress, não penso, não vejo e não ouço nada, e nesses momentos, magôo as pessoas, ao ignorá-las, sem nem me dar conta disso.
Muitas  vezes me sinto só, mas não ligo pra ninguém pra vir em casa tomar um café com creme, ou um suco gelado.
Com meus 40 anos, não tenho a menor certeza do que vou ser, do sei fazer melhor, se vou chegar a algum lugar que valha a pena.
Duvido cartesianamente do amor e das pessoas, pois a vida me mostrou que as coisas devem ser assim.
Mergulho de cabeça e no meio da queda, quero voltar pra trás, tentando me agarrar a algo que me segure, pois tenho medo do quanto o mar é fundo e não quero me afogar.
Roo a cutícula quando nervosa, odeio quando balançam a latinha de coca cola pra ver se ainda tem algo dentro, e com isso, acabam com o pouco do gás restante.
Tenho horror a gente sem ética, sem moral, sem bom senso e ao invés de simplesmente as ignorar, eu me incomodo com elas. Ou seja, me deixo abalar por qualquer fator externo.
Sou a única , numa fila de banco, a discutir com a mãe que deu um tapa na cara da filhinha, enquanto as demais pessoas, simplesmente fingem não notar, ou seja: sou muito, mas muito encrenqueira.
Não bebo e odeio gente bêbada.  Pessoas sem noção, alteradas, falando alto, gesticulando sem classe, sendo inconvenientes, me incomodam. E se eu bebo,  me torno igualzinha a eles . E vomito.
Parei de fumar por achar ridículo um vício ser mais forte que eu , mas isso é um discurso hipócrita, já que sou viciada em coca cola.
Sou chata, sou brava, intransigente, mas seria injusta se dissesse que o mau humor faz parte da minha personalidade. Alegre e divertida eu sou, e muito, quando a vida me permite ser.
Não aceito a morte de pessoas queridas, não aceito a miséria em que vivem milhares de trabalhadores e não tenho a menor esperança de que as coisas irão mudar.
Gosto muito mais de transar do que ir à missa.
Tomo pouca água, como  frituras , e não faço caminhada.
Odeio gente falsa e chata, que se acha de fato o máximo.
Adoro ouvi-lo rindo na sala assistindo Seinfield ou Friends.
Adoro a risada dela, alta e exagerada como a do pai,
Mas não suporto a bagunça que ela deixa pela casa e por  falta de calma e equilíbrio,  isso acaba sempre  em brigas homéricas.
Não me incomodo de dormir com a louça por lavar,  mas não durmo sem banho, nem que a vaca voe.
Tenho horror a ginecologista e a dentista, embora nunca deixe de ir.
Tenho o terrível habito de deixar pra me maquiar no ultimo instante.
Odeio rolo de papel higiênico vazio .
Odeio a possibilidade de saber que numa guerra nuclear, eu vou, as baratas ficam.
Odeio  saber que a realidade é que as pessoas  mentem, independente de suas razões.
E definitivamente, detesto, com todas as forças do meu ser, gente boazinha que se acha o máximo, acorda de bom humor  e fala o quanto é boa e acha tudo lindo e maravilhoso: “Eu sou isso e também sou aquilo!” “Eu sou assim e assado!”
Ah, que saco , hein !Deus me livre ser Sandy, que só pega o Lucas Lima!
Eu sou um porre, me desculpem, mas essa sou eu e eu sou de verdade , e  são pessoas como eu, que encontro pela vida , o que me faz pensar que estou no mesmo planeta que os demais.
Já as pessoas perfeitinhas, nunca vi, nunca ouvi falar, a não ser pelos textos de auto-definição, tão fakes quanto elas mesmas....

11 comentários:

  1. Você descreveu o que todas nós somos, com pequenas alterações em detalhes.
    Eu, por exemplo só vomito no dia seguinte, mas adoro beber, canto Faroeste , e permito até que me maquiem...
    Enfim: Seres Humanos cheios de erros e acertos.
    Pena que todo mundo finge ser só verdades e vivem na mentira.
    Ah! Na parte da coca-cola, já que somos só verdade, não é a mesma coisa sem uma bela de uma arrotada , hein..
    Bjs

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  2. Mais uma vez amei seu texto, que novidade não é? pois sou sua fã! fiquei muito feliz em saber que largou de fumar!e quero dizer que vc é só um pouquinho chata,não o tanto que disse que é!mas o que apaixona em vc é essa sua coerência, é essa sua verdade, é vc ser como é! nunca mude nadinha, só pare de implicar com sua tia por motivos bobos, pois vc é tudo de ótimo! Amo vc!
    Bjs

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  3. Ah, Davi, sobre arrotar, aí já nao sei te dizer, pq apesar de eu achar a Branca de Neve um porre, uma tontinha que nao encarou a madrasta de frente, contrariou a lição numero 1 e aceitou alimento de uma desconhecida, ficou faxinando por sei lá quanto tempo a casa daqueles maloqueiros dos 7 anões e só acordou pra vida quando apareceu um Mauricinho num cavalo branco pra lhe beijar, etc etc etc e tal, e de eu declarar que nao sou e nem quero ser Sandy ,ainda assim, sou princesa e você sabe....princesas não fazem determinadas coisas....

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  4. Tia,
    Me lembro que certa vez voce me disse que as mães nunca dizem o quanto seus filhos dão ou deram trabalho, as amigas nunca dizem o quanto a vida está difícil e as irmãs, cunhadas, primas, nunca comentam se a vida sexual tá uma merda. O discurso é sempre maravilhoso, o céu é sempre azul e as flores são perfumadíssimas e nunca, em hipótese alguma, lhes causam alergia.
    Então, tem um pouco de nossas conversas aí nesse texto acima, viu?
    E eu nao implico com voce.
    Entenda: é a idade que está lhe tornando assim, meio caduca....mas te amo mesmo assim!

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  5. Faz tempo que não leio um texto tãããããããããããããão LIN-DO!!!!!!!!!
    Mulher, arrasou! Perfeito, disse tudo que eu tava com vontade de dizer quando dava uma passada por uns e outros blogs… A gente é de verdade, de carne e osso, chora, ri, sofre, tem espinha, engorda, emagrece, faz rigime, já dizia o poeta “rir demais é desespero!”.
    Amei, mesmo!
    Bjão
    Priscila Fogaça

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  6. Siiiiiiiiim, Pri!
    Rir demais é desespero
    E estou ficando desesperada de tanto procurar esse bando de gente feliz pra sempre !
    Aff, um porre mesmo....
    Bjoss lindona

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  7. Que texto bárbaro! POuca gente se conhece tão bem, ou tem coragem de fazê-lo em público! Adoprei. Fiquei com vontade de fazer algo parecido um dia. Beijo!

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  8. Fabi, todos nos conhecemos muito bem, mas as pessoas preferem dizer o quanto sao belas, especiais, fenomenais, sensíveis, e mais um monte de adjetivo bacana.
    Tudo conversa.
    Reparou que ninguem escreve sobre o abandono, a indiferença sofrida, as traições que já passou?
    Nao. Todos só contam histórias de amor maravilhosas, que colocam Roberto Carlos no chinelo.
    Tudo pra esconderem sua pequenês, o quannto são comuns e dispensáveis...
    Que bom que você ficou com vontade de fazer um parecido!
    Vamos nos libertar!
    Beijao, queridona!

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  9. Michel Gottsfritz15 de abril de 2011 17:13

    Adoro vc Lu...adoro ler o q vc escreve...me faz comum, real como vc, apesar de saber q não sou. Talvez seja o chato de q vc sempre fala, mas mesmo assim tento não parecer pra poder de vez em quando ouvir(ler) vc dizer q me adora, pq eu também te adoro, em escrita, verso e prosa!

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  10. Ai que amooor, gente! Finalmente ele resolveu aparecer e se declarar aqui no blog!!!
    (eu sou a pessoa mais chata e insuportável desse mundo. Sorte sua nao ser real como eu...)
    E como eu te adoro mesmo, de verdade,essa vai pra vc:
    "Se vc crê em Deus, encaminhe pros céus uma prece, e agradeça ao Senhor: vc tem o amor que merece!" (eu,né, bee!)
    Bjoooo

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  11. Lú ,vç me deixou perplexa amiga!Me apaixonei por essa maravilhosa descrição de como vç é realmente sem mentiras ou subterfúgios,acho que as pessoas deveriam ser assim,francas,verdadeiras,transparentes,pois hoje em dia,a maioria das pessoas sõ hipócritas,escondem-se atrás de uma carregada maquiagem de falsidade e aparência,tentando mostrar o que realmente não são,apenas para conseguir se destacar,isso é ser mega artifíciais.Amei vç e me tornei sua fã de carteirinha!!!Sucesso e muita paz pra vç.

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Sabia que somente pessoas especiais postam comentários aqui?