quinta-feira, 9 de setembro de 2010
“Aquela que faz os outros felizes”
Putz, já faz 10 anos desde aquele dia...
Você chegou já com aquela pressa de chegar, de ver como é que é a vida, de viver.
Lembro até a roupa que eu vestia: Uma camisa vermelha de manga comprida.
Lembro de ter (não vou chorar) ..
Lembro de ter tirado você do berço com muito cuidado, porque era tão pequenininha, que teve que ficar uns dias a mais no hospital porque nasceu antes do prazo, e teve...como é que chama aquele negócio que a criança fica amarelinha? Icterícia Neonatal ! (Thanks, Google!)
Tinha os olhos curiosos e a boca enorme....Observadora e tagarela.
Nasceu depois de uma princesinha perfeita e isso é muito complicado!
Principalmente para as cascas duras que gostam de uma confusão, mãos na água e pés no chão.
Você, pequena criatura, é uma alegria para mim.
Sabia que seu nome significa isso mesmo? ” Aquela que faz os outros felizes” ?
Sei que não falo muito, mas te observo e adoro o que vejo.
Eu te vejo!
Sei que não será nunca a ovelha acorrentada e que não há amarras capazes de te limitar.
Mas não estranhe quando pessoas comuns surgirem e tentarem estabelecer regras.
É a vida se assustando com sua sede , com sua gana de viver.
Viver muitas vezes assusta ovelhinhas felizes com suas amarras. Não se incomode com elas.
Siga , siga sempre em frente, com seus cachinhos soltos ao vento, com sua preocupação com todos, muitas vezes desapercebida pelos mais distraídos...
Siga em frente, não olhe para trás, não se distraia com coisas pequenas.
E nunca, nunca deixe se perder em você esse seu jeito doce, esse seu jeito Bia de ser...
Te amo , sabia disso?
Feliz Aniversário, flor do meu dia!
domingo, 5 de setembro de 2010
Quem sou eu?
E quem é você?
Nessa história
Eu não sei dizer
Mas eu acredito
Que ninguém tenha vindo
Pro mundo a passeio...
De onde se vem?
Prá onde se vai?
Só importa saber prá quê
Prá quem?
Pois o destino
Transforma num dia
Um menino em herói de TV...
Um dia a gente se encontra
No meio do mundo
Depois a gente se perde
No meio de tudo...
Enquanto a gente pensa
Que sabe de tudo
O mundo muda de cena
Em menos de um segundO
...UM DIA A GENTE SE ENCONTRA NO MEIO DO MUNDO...
DEPOIS A GENTE SE PERDE NO MEIO DE TUDO....
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
TRABALHO VOLUNTÁRIO
A sala era pequena e mal conservada.
Os alunos pareciam estar numa feira, numa balada, em qualquer lugar, menos numa sala de aula.
A presença dela talvez tivesse causado maior agitação entre eles, afinal, havia um elemento a mais na sala naquele dia.
O tempo que se levou para fazer a chamada tomou metade da aula e ela pensou que com um ensino daquela qualidade, não se podia esperar muita coisa do futuro daqueles jovens.
Tentava inutilmente se concentrar nas suas anotações, estava ali ajudando uma ONG a organizar um Projeto Social de integração de estudantes carentes ,mas para eles, ela era uma professora.
Uma garota com menos de 15 anos, com metade dos peitos pra fora, sombra azul, blush rosa e batom vermelho contrastando com a pele negra , dezessete pulseirinhas enroladas e coloridas no braço.
Aquilo devia estar na moda, pois muitas outras pessoas usavam o mesmo adorno. Por um instante pareceu-lhe que estava nalguma tribo indígena de um local qualquer afastado da civilização.
-E aí, piriguéti, gritou ela de sua carteira para alguém que passava nos corredores. Assim, como se estivesse na calçada de sua casa.
Pediu para ir ao banheiro. Quando voltou, a aula já estava terminando, embora nem tenha chegado a começar.
Os bons alunos, que se sentavam na frente, usavam todos eles, fones de ouvido. Quem não tinha, emprestava um dos fones do amigo, para ouvirem um sonzinho, afinal, ninguém é de ferro.
O professor atendeu alguma s ligações do celular. Negócios imobiliários. Em determinado momento, ele explicou a estagiária que aquela era uma classe com 80 % de “L.A.”
-O que é L.A., professor?
-Eles cometeram pequenos ou grandes delitos, mas são menores, e estão em Liberdade Assistida. Se não vierem a escola, vão pra a Fundação Casa, antiga FEBEM.
Que bom, pensou ela. Uma classe de menores que cometeram pequenos e grandes delitos...
O professor precisou sair por uns instantes e pediu que ela cuidasse da classe e disse aos berros:
-Se eles desobedecerem, desce o cacete, viu, professora?
Era só isso que estava faltando. Deixa-la sozinha numa sala com um bando de L.A.
Professora soou estranho, ela respirou fundo e tentou se concentrar nas suas anotações. Impossível. Parecia-lhe que aquele era um outro planeta, e ela pensou no quanto foi privilegiada a vida toda, e quantos mundos existem dentro do nosso mundo e nem nos damos conta disso.
- Mas é Brizola pura,pó dos bom, não é malhada não . Você paga pela qualidade!
Disse um garoto que não tinha mais que 16 anos a um outro mirradinho, tímido, que poderia ser filho de qualquer um de nós.
-EEEEEi, peraí, aí já tá demais! Vai querer falar de cocaína na minha frente?
-Qual é, “pssora”? O professor vende casa, eu vendo pó! Cada um no seu quadrado!
A garota de óculos ao lado , disse baixinho:
-Professora, não mexe não...Ele tem vários pontos de tráfico de drogas espalhados pela cidade. É muito respeitado aqui por todos. Já matou uns par deles assim, por nada.
Ela parou, olhou para o garoto, já em pé, apenas alguns metros dela.
-Faz um favor pra mim: Senta.
-Qual é, eu tenho orgulho do meu trabalho, não aceito que ninguém critique ele não, tá ligada?
As palavras saíram antes do cérebro pensar. A língua deve ter raciocinado mais rápido, pensou na lápide, nos 7 palmos abaixo da terra e ela respondeu:
-Qual é o seu nome?
-O nome dele é Dadinho, pssora.
-Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno!
Todo mundo riu. Aquilo lhe soou familiar....onde é mesmo que ela tinha ouvido aquilo? Não havia tempo pra pensar e a boca sabia disso.
-Olha, eu tenho 4 bocas espalhadas por aí. Meu pai trabalhou a vida inteira nesse sol que Deus manda e só conseguiu ter uma. Só de vapor trampando pra mim, tenho uns 30.
Ela não sabia bem ao certo o que ele estava dizendo, mas se fez de tranqüila e prosseguiu:
-Eu realmente não quero saber da sua vida profissional, só não quero que vc fale de cocaína dentro da sala de aula, ok?
Aí o menino realmente se irritou: Chegando a alguns centímetros dela, disse:
-E se eu querer falá? Qual o poblema, pssora?
-O problema é que tenho trauma.
-Trauma de quê? De pó ruim? O meu é bom, qué isprimentá?
-Perdi meus 5 irmão para a cocaína. Morreram 4 de overdose e um de Aids.
Silêncio na sala. Um silêncio que não aconteceu desde o inicio da manhã.
-Puta que o pario. Morreu os 5 irmão?
-Sim, os cinco.
Ela ainda não sabia de onde é que surgiram os irmãos, as mortes, mas enfim, a boca falou e ela acatou.
-Porra, pssora, que falta de sorte, meus pesares aí pra senhora sua mãe, seu pai...
-Meu pai já morreu também.
-Overdose, pssora?
-Não. Cirrose.
-É....os pais que dá os exemplo! Cachaça faz mais mal que qualquer bagulho aí, mas é liberado!
Ela permanecia quieta e calar-se em situações de stress era um exercício que ela tinha que aprender a dominar.
-Meu pai me deu bom exemplo na vida. Ele vende, mas não usa. Eu também. Vendo , mas não sou viciado, tá ligada? Dou uns tiro de vez em quando.
-Tiro? Tiro onde? Você tá armado?
-Professora, “tiro” quer dizer que a pessoa usou cocaína, disse baixinho a de óculos.
-Entendi.
-Mas não sou viciado não. A senhora tem alguma coisa contra?
-Eu já disse que tenho trauma de cocaína porque perdi 5 irmãos por conta disso, mas é diferente, né, porque aqueles desgraçados eram viciados. Você não. Você é trabalhador!
-É, sou mesmo. Ralo pacarái! Mas, olha, vocês tiveram azar....Morreram os cinco mesmo?
-Pois é.
-Só teve a senhora de mulher?
-Não.
-Então tem mais irmã viva?
-Tenho mais duas.
-Não mexem com tóxico?
-Não vejo Cecília e Carolina há anos. Elas são prostitutas, moram na capital, não sei da vida delas.
Nesse momento ela não pode evitar a vontade de soltar uma gargalhada. Imaginou as irmãs, prostitutas na capital, ”usando salto 15 e saia de borracha” mas segurou-se pra rir mais tarde, quando estivesse fora de perigo.
-Aí já melhora, né , pssora. Melhor prostituta viva que viciado morto!
-Pois é.
-Então só a senhora que tá bem na fita, hein....
-Bem.
-Então, mas tenho uns doce aí, caso a senhora queira pegá leve...Só pra não ficá excluída da família, né?
Nesse momento o professor retornou, e lhe pareceu um anjo caído dos céus, no exato momento que ele se fazia essencialmente necessário. Mais um pouco e a pobre moça estaria comprando um doce e mais umas duas aulas e ela acabaria convencida que ser vapor dava mais lucro que pegar o giz e tentar ensinar alguma coisa que valha àquelas crianças....
Este é o Brasil, o Brasil do Lula, o Brasil da Dilma, o Brasil que muitos falam, mas poucos conhecem.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Para se pensar
Ontem estávamos nos amando um pouco, pois por conta de tantos compromissos com estudos, tarefas e cobranças, temos tido pouco tempo pra nos amar.
Deitadas na cama, jogávamos Combate enquanto conversávamos sobre trivialidades.
-Mãe, no seu tempo de criança , as lendas urbanas eram as mesmas de hoje?
-Claro que não. Aliás, no meu tempo nem existia lenda urbana. E a gente era praticamente rural, né...
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, ai mãe!
-Sério. E pare de esticar o pescoço pra ver minhas peças, senão eu simplesmente não brinco mais.
-Eu to só espreguiçando!
-Espreguiçando o pescoço. Sei.
Aí ela quis que eu contasse das coisas que eu tinha medo quando criança, ou melhor, das “lendas urbanas”.
Parei, pensei, pensei...eu não tinha medo de nada. É claro que tinha a mulher do saco, que passava e levava as crianças pra comer no jantar, mas não na minha cidade.Em minha cidade só tinha a Tianinha e essa nunca botou medo em ninguém.
Do que mais eu tinha medo? Ah, sim, Tinha o Bi !
Na verdade, eu não sei porque eu tinha medo do Bi. Ele nunca fez mal a ninguém, mas me apavorava ver um homem que tinha certeza que era carro, passar todo dia correndo em frente a minha casa, parar a cada esquina, esperar o sinal imaginário abrir pra ele passar buzinando...
E tinha o Roberto, nosso vizinho, que desde que me conheço por gente, andava o dia inteiro de uma esquina a outra, falando sozinho, esbravejando. Parece que ele era muito inteligente e dizem que de tão inteligente, enlouqueceu. Também não sei porque eu tinha medo dele. Nunca fez mal a ninguém.
Agora pensando, acho que a loucura não afeta de nenhuma maneira a índole das pessoas. Uma pessoa boa , pode enlouquecer, perder totalmente a sanidade, sem perder seus valores morais.
Já os estupradores, assassinos, as pessoas más, não tem sanidade. Tampouco valores morais.
São esses os que devemos temer.
Mas não falemos de coisas ruins!
Pois havemos de reconhecer que existe uma certa graça, um certo tom lúdico na loucura.
Viver um mundo à parte, sem importar-se com conceitos pré -estabelecidos, viver cada dia sem sentir o medo do que há por vir, não importar-se ou não pensar que pessoas sempre nos julgam, não envelhecer! Os loucos não envelhecem!São sempre eles, num espaço organizado num determinado tempo que parou dentro de suas mentes.
Acho que dentro de cada louco, existe uma esperta criança, que o segura pela mão, e não o deixa ir....
-Então tinha um monte de louco na sua cidade, mãe?
-Um pouco. Não mais que hoje.
-E você tinha muito medo deles?
-Não.
-Não?? Mas eles eram loucos!!!
Expliquei que não devemos temer os loucos.Devemos temer os maus.
-Mas se a pessoa é louca.....ela não sabe o que é certo ou errado. Pode matar achando que tá certo!
-Aí a pessoa não é louca. Ela é má. Repare que geralmente nós chamamos de loucura tudo aquilo que é diferente .Nós julgamos, sem questionar, sem querer conhecer, porque é mais fácil rotular do que reconhecer que existem outros pontos de vista diferentes do nosso, e classificamos como estranhas ou erradas pessoas ou idéias que não correspondem aos padrões pré estabelecidos , a que estamos acostumados.
-Não sei se entendi...
-Em outras palavras, todos aqueles que ultrapassam a fronteira, que se desprendem das amarras , são classificados como loucos.Mas nem todos são. O que tem que se saber é qual é a fronteira entre a sanidade e a loucura?
-Não sei.
-Pois é. É difícil de saber. É difícil saber onde é o limite , onde termina o real e onde começa a loucura. E os loucos também não sabem.
Uma vez me disseram que eu era louca por acreditar que o amor existe , e procurar por ele, tendo toda uma vida organizada, estabelecida e garantida.
-Mas isso não é loucura. É coragem!
-Pra você, pra mim! Mas para muitos, é loucura.
-Então não dá mesmo pra saber o que é loucura .
-Não, não é fácil.
-Mãe, Deus ama os loucos?
-Penso que Deus ama todo os seus filhos, mas se entristece com os maus.
-Então é melhor ser louco do que ser mau?
-Acho que sim, né?
-É, eu também acho isso. É melhor ser louco e não fazer mal a ninguém, né?
-É!
-Você , por exemplo, às vezes parece meio louca, mas é muito boa pra mim. Até quando eu digo que você é má, eu sei que está só me educando.
-Que bom que você pensa assim!
-Sinal que eu não sou louca , né?
-É, apesar que ficar picando papel higiênico enquanto está fazendo o número 2, me parece coisa de gente louca....
-Mãe, vamos voltar ao nosso jogo.
..........E fim!
“ Um mal não é um mal para quem não o sente ; Que te importa se todos te vaiam se tu mesmo te aplaudes ? ( Erasmo de Rotherdan )
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
NÃO FALE. DÊ EXEMPLOS.
Ter Filhos é uma bênção divina, é a razão primeira da mulher existir.
Todas as meninas brincaram de casinha, almejaram ser mães, ver a barriga crescendo, o corpo se modificando pra receber outra vida, parir, amamentar e ver no outro ser a sua continuidade. É natural, é a vida em sua forma mais perfeita...
Mas educar não é nada fácil... A gente lê livros, conversamos com as amigas, procuramos psicólogos para nos orientar nessa difícil tarefa que é ensinar o melhor e da melhor maneira para nossos filhos, mas creio que a grande verdade, é que a melhor maneira de educar, é de fato, dando exemplos.
De que adianta a gente proferir doces e meigas palavras, com voz de menininha , dizer aos quatro cantos que somos “pessoas do bem” , quando nossas atitudes mostram exatamente o contrário?
De que adianta ensinar ao filho que não se deve mentir, se mentimos , seja pro telemarketing, seja para aquele convite que não estamos interessados em aceitar ,mas mentimos?
De que adianta dizermos que temos que ser corajosos, assumirmos nossos erros, se quando erramos, num segundo momento, já estamos lá, tentando nos fazer de vítimas da situação, agindo como as piores vítimas das injustiças do mundo?
A gente ensina , é com exemplos, é com atitudes!
Quando erramos, devemos sustentar nosso erro , nos desculparmos e seguir em frente de cabeça em riste, sem atacarmos ou ofendermos ninguém pelos erros que cometemos. Isso é ser homem, isso é ser mulher e ser forte e ter dignidade. Porque palavras, são fáceis de proferir, mas atitudes são mais difíceis de sustentar, e quando as palavras não condizem com as atitudes, aí já era: Você não engana mais ninguém.
Quando concluímos que determinadas pessoas não nos acrescentam nada na vida, simplesmente nos afastamos e seguimos em frente, sem olhar pra trás. De preferência , desejando que quem ficou pra trás tenha tudo aquilo que merecer da vida.Se esse tudo é bom, ou ruim, não cabe a nós julgar, nem desejar coisa alguma.
Nossos filhos sempre terão sua própria personalidade, seu próprio caráter, mas os exemplos que passamos , eles levarão com eles pra sempre. Por isso nunca passei a mão na cabecinha da minha filha, nunca a apoiei nas burradas que ela fez. Sempre mostrei que todos os atos, tem conseqüências e assim ela vai crescendo , consciente do certo e do errado.
Reflitamos sobre nossos atos, sobre os exemplos que temos dado a nossos filhos, a nossos amigos, enfim, às pessoas que passaram e passarão por nossas vidas.
Porque caminhos de trevas não existem. O que existe é nossa própria incapacidade de sermos luz, de iluminarmos tudo....
.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
EU TE AMO PORQUE...
POSTEI ESSE TEXTO HÁ UNS 6 MESES ATRÁS.
QUEM QUISER É SÓ ENTRAR NOS MEUS PRIMEIROS TEXTOS E PODERÁ VER.
DE REPENTE, ASSIM, DO NADA, RESOLVI POSTÁ-LO NOVAMENTE.
TEXTOS, CRÔNICAS, SÃO COMO FILHOS.
A GENTE AMA, A GENTE CUIDA E ESPERA QUE NINGUÉM NOS PLAGIE
NEM DIRETA , NEM INDIRETAMENTE.AFINAL, ESCRITORES DE TALENTO, NÃO PRECISAM COPIAR A IDÉIA DE NINGUÉM, POR MAIS LINDA QUE ELA SEJA, POR MAIS TENTADOR QUE POSSA SER.
POIS SER ORIGINAL E HONESTO, É AINDA O MELHOR VERSO.
Eu te amo porque...
Eu te amo porque você chegou como ninguém antes havia chegado
E invadiu tudo sem perguntar se podia.
Eu te amo porque meu sorriso é mais largo
Quando sorrio com você.
Eu te amo porque você me chama de Xú,
E tem Olhos de Ressaca,
De cigano obliquo e dissimulado.
Eu te amo porque seu short é rasgado e feio
E quando você dorme , sua boca faz um biquinho lindo....
Eu te amo porque você é paciente comigo
e vive me dizendo pra eu acreditar no seu amor
Eu te amo porque você fica bravo quando perco seu isqueiro
E porque você diz que as formigas não existem.
Eu te amo porque você pede pra eu fazer risquinho em suas costas.
Eu te amo porque você reclama quando peço pra coçar as minhas ,
Mas só você entende a dinâmica da minha coceira .
Eu te amo porque você come vinte e cinco brigadeiros
De uma só vez
E depois fica com medo de morrer de hiperglicemia.
Eu te amo porque você tem a estranha mania de segurar
meu pulso e me imobilizar com suas pernas enquanto dormimos.
Eu te amo porque ninguém imita garça do brejo igual a você
E porque tem uma bondade que me emociona.
Eu te amo porque você é sacana e sem vergonha o tempo todo.
Eu te amo porque você dá os dois toques no meu celular,
Come de boca aberta e faz as comidas mais espetaculares do mundo.
Eu te amo porque você gosta de pizza com cat chup
E detesta os filmes que eu alugo.
Eu te amo porque quando brigamos por causa do seu mau humor humorado
Você pede desculpas
E vejo em você a vontade absurda de que as coisas dêem certo.
Eu te amo porque você tem insônia
e eu sempre posso dormir com você velando meu sono
E quando eu fico doente, mesmo que esteja cansado,você nunca dorme antes de mim
Eu te amo porque você um dia me chamou de deliciante
E aquela foi a cantada mais tosca e gostosa que já ouvi.
Eu te amo porque você permitiu que eu desorganizasse totalmente a sua vida
E porque você tem o hábito irritante de nunca falar mal de ninguém
Eu te amo porque suas pernas se encaixam nas minhas
E meu corpo adora o seu calor
Enfim
Eu te amo porque você faz cantar a melhor musica dentro de mim.
Postado por lu trevejo às 22:31
Reações:
10 comentários:
joseane disse...
Essa é a maneira de amar mais esquisita que eu já ví na minha pequena experiência, mas sem dúvida, a mais sincera de ambos!Fico feliz por poder ver toda essa amorosidade entre vocês dois.
16 de abril de 2010 00:21
lu trevejo disse...
Xupetaaaa...
O amor não faz sentido,
Não tem coerência
E nenhuma explicação!
Tanto é verdade que...
Eu amo otê!!!!
E sabe quanto que eu amo??
Cinco Real!
16 de abril de 2010 00:22
Thiago Prestes. disse...
Deliciante!!! Deliciante!!! Não foi uma cantada, meu bem. Foi uma revelação!!!
Te amo Xux!
16 de abril de 2010 01:47
lu trevejo disse...
úi!
16 de abril de 2010 02:41
Clarinha disse...
Ai que coisa mais linda =]]]!!! o melhor é ver quando vc pega peixinhus e ele nao kkk!! ai o bicho pega kkkkk
amo vcs!!!
16 de abril de 2010 14:12
lu trevejo disse...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...............................................Amo vc também, coisa mais linda do mundo!
Saudades, pernããão!
16 de abril de 2010 14:19
TaTi Barzotto disse...
É mto lindo o texto!
Que AMOR gostoso hein!
4 de maio de 2010 09:37
lu trevejo disse...
Delicioso, Tati.
4 de maio de 2010 14:27
maria josé disse...
Amei essa declaração....fico feliz por esse amor que sentem dessa maneira. Torço muito por você, viu?
Beijos
5 de maio de 2010 15:45
POSTEI ESSE TEXTO HÁ UNS 6 MESES ATRÁS.
QUEM QUISER É SÓ ENTRAR NOS MEUS PRIMEIROS TEXTOS E PODERÁ VER.
DE REPENTE, ASSIM, DO NADA, RESOLVI POSTÁ-LO NOVAMENTE.
TEXTOS, CRÔNICAS, SÃO COMO FILHOS.
A GENTE AMA, A GENTE CUIDA E ESPERA QUE NINGUÉM NOS PLAGIE
NEM DIRETA , NEM INDIRETAMENTE.AFINAL, ESCRITORES DE TALENTO, NÃO PRECISAM COPIAR A IDÉIA DE NINGUÉM, POR MAIS LINDA QUE ELA SEJA, POR MAIS TENTADOR QUE POSSA SER.
POIS SER ORIGINAL E HONESTO, É AINDA O MELHOR VERSO.
Eu te amo porque...
Eu te amo porque você chegou como ninguém antes havia chegado
E invadiu tudo sem perguntar se podia.
Eu te amo porque meu sorriso é mais largo
Quando sorrio com você.
Eu te amo porque você me chama de Xú,
E tem Olhos de Ressaca,
De cigano obliquo e dissimulado.
Eu te amo porque seu short é rasgado e feio
E quando você dorme , sua boca faz um biquinho lindo....
Eu te amo porque você é paciente comigo
e vive me dizendo pra eu acreditar no seu amor
Eu te amo porque você fica bravo quando perco seu isqueiro
E porque você diz que as formigas não existem.
Eu te amo porque você pede pra eu fazer risquinho em suas costas.
Eu te amo porque você reclama quando peço pra coçar as minhas ,
Mas só você entende a dinâmica da minha coceira .
Eu te amo porque você come vinte e cinco brigadeiros
De uma só vez
E depois fica com medo de morrer de hiperglicemia.
Eu te amo porque você tem a estranha mania de segurar
meu pulso e me imobilizar com suas pernas enquanto dormimos.
Eu te amo porque ninguém imita garça do brejo igual a você
E porque tem uma bondade que me emociona.
Eu te amo porque você é sacana e sem vergonha o tempo todo.
Eu te amo porque você dá os dois toques no meu celular,
Come de boca aberta e faz as comidas mais espetaculares do mundo.
Eu te amo porque você gosta de pizza com cat chup
E detesta os filmes que eu alugo.
Eu te amo porque quando brigamos por causa do seu mau humor humorado
Você pede desculpas
E vejo em você a vontade absurda de que as coisas dêem certo.
Eu te amo porque você tem insônia
e eu sempre posso dormir com você velando meu sono
E quando eu fico doente, mesmo que esteja cansado,você nunca dorme antes de mim
Eu te amo porque você um dia me chamou de deliciante
E aquela foi a cantada mais tosca e gostosa que já ouvi.
Eu te amo porque você permitiu que eu desorganizasse totalmente a sua vida
E porque você tem o hábito irritante de nunca falar mal de ninguém
Eu te amo porque suas pernas se encaixam nas minhas
E meu corpo adora o seu calor
Enfim
Eu te amo porque você faz cantar a melhor musica dentro de mim.
Postado por lu trevejo às 22:31
Reações:
10 comentários:
joseane disse...
Essa é a maneira de amar mais esquisita que eu já ví na minha pequena experiência, mas sem dúvida, a mais sincera de ambos!Fico feliz por poder ver toda essa amorosidade entre vocês dois.
16 de abril de 2010 00:21
lu trevejo disse...
Xupetaaaa...
O amor não faz sentido,
Não tem coerência
E nenhuma explicação!
Tanto é verdade que...
Eu amo otê!!!!
E sabe quanto que eu amo??
Cinco Real!
16 de abril de 2010 00:22
Thiago Prestes. disse...
Deliciante!!! Deliciante!!! Não foi uma cantada, meu bem. Foi uma revelação!!!
Te amo Xux!
16 de abril de 2010 01:47
lu trevejo disse...
úi!
16 de abril de 2010 02:41
Clarinha disse...
Ai que coisa mais linda =]]]!!! o melhor é ver quando vc pega peixinhus e ele nao kkk!! ai o bicho pega kkkkk
amo vcs!!!
16 de abril de 2010 14:12
lu trevejo disse...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...............................................Amo vc também, coisa mais linda do mundo!
Saudades, pernããão!
16 de abril de 2010 14:19
TaTi Barzotto disse...
É mto lindo o texto!
Que AMOR gostoso hein!
4 de maio de 2010 09:37
lu trevejo disse...
Delicioso, Tati.
4 de maio de 2010 14:27
maria josé disse...
Amei essa declaração....fico feliz por esse amor que sentem dessa maneira. Torço muito por você, viu?
Beijos
5 de maio de 2010 15:45
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Acabamos de assistir Quincas berro d’água. Rimos tanto, que até choramos. Ríamos e dávamos um pause pra podermos rir mais, e comentar as frases, as caras, as bocas... Ainda estou rindo. Que coisa boa sorrir.... Os dias estão corridos e não tem me sobrado tempo pra divagar,de modo que por esses dias não vai dar pra escrever longos textos.Mas como tinha que escrever para o Jornal que sou colunista ( embora meu editor seja maravilhoooso e nããão me cobre rigor com datas de postagens, meus leitores cobram, então fiz pra lá e colei pra cá e ficou tudo certo!) .Não posso deixar de comentar, ainda que brevemente meu encantamento pela história lida quando menina, com meu limitado entendimento ,e agora pelo filme deliciosamente baiano. A velha malemolência baiana que tanto amo... Quem ainda não assistiu, perdeu de ver uma Marieta Severo perfeita :
-Ele não veio, o que faço com o bolo?
-El buelo?
-É, o bolo.
-Jo que tiene El buelo?
-O que eu faço com o bolo?
-El buelo? Enfia no cuelo!
Gente, que pena não haver mais Jorge Amados por aí! Coisa ruim nasce em série, né?
E oque é aquela cara de choro e sorriso intermitente e impagável de Flávio Bauraqui, que eu jurava que era Lázaro Ramos? E por aí vai.... Um grande elenco.
“assim é o mundo, povoado de cépticos e negativistas, amarrados, como bois na canga, à ordem e à lei, aos procedimentos habituais, ao papel selado.”
Eu poderia, se o tempo assim me permitisse, discorrer longamente por essa, que talvez seja a mais bacana obra de Jorge Amado, que fala sobre um homem que deixou de ser ovelha pra viver sua história (cada qual que escreva a sua), mas a frase acima resume tudo o que diz o livro.
Finalizando esse simples e breve texto, deixo vocês com o poema final:
“cada qual cuide seu enterro…
me enterro como entender
na hora que resolver.
Podem guardar seu caixão
pra melhor ocasião.
Não vou deixar me prender
em cova rasa no chão.”
E foi impossivel saber
o resto de sua oração.”
Jorge Amado
terça-feira, 24 de agosto de 2010
HOJE É SEU ANVIERSÁRIO, MEU AMOR!
Amor da minha vida!
Hoje é seu aniversário!
Nem sei quantos mil anos você faria se estivesse aqui!
Fico tão feliz em ter esse espaço, onde falo de amor, de felicidade e dos bons momentos vividos!
Me lembro que vc me dizia que logo que você partisse, a gente nem se lembraria mais de você e que as fulores ficariam casa vez mais raras em sua lápide.
Uma vez li em algum lugar que uma pobre e infeliz criatura, subia todos os dias em cima do muro e gritava
aos vizinhos:
"Olha, eu sou muito feliz sem vocês, viu? Vocês são pessoas más,e eu sou boa! Sua
presença é indiferente em minha vida!Eu tenho moral e dignidade e vocês não! Eu nao ligo a mínima pra vida de vocês , vocês sao tristes e eu
sou feliz! Vocês apenas fingem-se de felizes enquanto eu nao! Eu sou feliz de ver- da -de!
E até já me esqueci de vocês! Nem me lembro mais que vocês existem!"
E fazia isso toooodos os dias de sua vida . (Paradoxal, não acha?)
Todos os dias as crianças " infelizes" comoviam-se , pois sabiam do peso que ela levava consigo.
Sentiam pena e nada faziam.
Apenas seguiam "tristes",
Brincando em seus imensos quintais cheios de amigos e vida.
Enfim, vozinho, as pessoas só morrem quando deixam de ter importância nas nossas vidas, ou sejam: as
pessoas só morrem quando deixam de ser lembradas.
E você está vivo na minha vida todos os momentos. Não houve um único dia, desde que você se foi, que eu
não tenha pensado em você.
Eu te amo, e procuro ser sempre uma pessoa melhor, para que você tenha sempre razões pra se orgulhar de
mim.
Como é bom olhar pra traz e não carregar remorsos ou culpas! Estive ao seu lado sempre , vc nao se foi
sozinho ou abandanado. Nós é que ficamos sozinhos, mesmo no meio da multidão, com a sua partida.
Eis o seu bolo preferido! De chantily, coberto com fio de ovos e cerejas!
Amo você, pra vida toda!
( O homem que vive na paz, não dá a mínima pra guerra ..)
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
HOJE FAZ 15 ANOS.
JÁ ESCREVI MUITAS CARTAS PRA VOCÊ.
LHE RENDI MUITAS HOMENAGENS.
A ULTIMA, FOI ESSE VIDEO, ONDE TEM VOCÊ, O VOVÔ, O GÁ , O MEU E O SEU PAI.
MAS HOJE NAO.
HOJE NÃO ESCREVO NADA.
O CORAÇÃO NÃO PERMITE
O PEITO SE FECHA E A GARGANTA TAMBÉM.
MEUS DEDOS SE RECUSAM E A SAUDADE DÓI MAIS DO QUE NOS DIAS NORMAIS
E O MEU LUTO, PARECE QUE NUNCA TERÁ FIM....
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Viver ou juntar dinheiro?
Max Gehringer
de comentários. Como esta, que recebi certa vez. Abre aspas. Li em uma
revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e
práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta
anos, teria economizado 30 mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza
por mês, 12 mil reais. E assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha
surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter
tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz,
não ter comprado algumas das roupas caras que comprei. Principalmente, não
ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis. Ao
concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na
conta bancária. É claro que não tenho esse dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o
que esse dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me
esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que
quisesse e tomar cafezinhos à vontade.
Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro com prazer
e por prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a
mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha
de dinheiro, mas sem ter vivido a vida. Fecha aspas.
Max Gehringer
(É claro que pra quem a natureza nao foi generosa e a cabeça não ajuda, ir à praia é um tormento.
É claro que pra quem é hipócrita e crê num Deus vingativo e com mãos pesadas, beber uma caipirinha é pecado (falar e desejar o mal dos outros e dar o toba a estranhos não, né?)
É claro que para quem é cafona, comprar roupas bonitas é um item inexistente.
É claro que para quem tem poucos amigos, dar uma festa é algo até vexatório, pois festa boa é festa repleta de pessoas que te amam e nao meia duzia de gatos pingados que sabem que foram convidados pra preencher espaços vagos. Vagos por pessoas que desistiram de estar por perto. Que se foram pra nunca mais voltar.
É claro que para quem é triste , solitário e infeliz, dinheiro não traz felicidade.
Aliás, para os infelizes, coisa alguma traz felicidade....)
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
...'MAS ERA FEITA COM MUITO ESMERO, NA RUA DOS BOBOS, NÚMERO ZERO!"
Ela tinha pouco mais que 5 aninhos,
E estávamos num restaurante da cidade onde íamos todas as quintas-feiras para comermos, rirmos , nos reunir com os amigos e cantar no karaokê, coisa mais gostosa do mundo, que não sei por qual razão caiu em desuso.
Ela corria pra tudo quanto é canto, e como se cansou, pediu que fôssemos embora.
-Não vamos não! Tá cedo ainda e hoje é meu dia de brincar!
Ela olhou bem pros meus olhos e sorriu. Ela me via. E conhecia muito bem a menina que vivia brincando com ela, toda suja de terra e areia e cheirando a biscoito, que só ia embora quando a mãe tinha que entrar em cena.
Alguém me pediu pra cantar duas músicas. Lembro-me que eram “Asa Morena” e “Foi Deus que fez você”.
Reparei enquanto cantava, que ela parou , assim, com um brinquedo nas mãos e ficou me observando.
Quando terminei, fui ter com ela.
Sentei no chão, como costumava fazer naquela época, para estarmos sempre no mesmo nível , desprezando os olhares de estranhamento que as pessoas ditas normais lançavam sobre nós e ignorando o que pensavam a meu respeito, pois sei que pensavam. Sempre pensam.
-Mamãe, canta a múzca da casa?
-Agora mamãe já cantou 2 músicas, vamos esperar as pessoas cantarem e logo logo eu canto, ok?
-Então fica na fila.
-Não precisa, meu anjo.
Chegou minha vez, e antes de cantar, eu disse:
-Essa música vai para a pequena criatura que é dona da minha casa, a Princesinha do meu castelo!
Cantei e voltei a ela:
-Pronto, gostou? Eu cantei só pra você!
-Mãe, o que significa “esmero” ?
Explicar certas palavras a uma criança requer uma certa sabedoria...Pensei, analisei a idade mental e cronológica, e disse:
-Esmero significa cuidado, atenção, capricho! Sabe quando a mamãe te diz pra escrever mais redondinho, mais caprichadinho?
-Sei
-Sabe quando você vai pintar um desenho e te falo pra tomar cuidado pra não pintar pra fora do contorno?
-Sei
-Então. Tudo isso é esmero! É ter atenção e carinho com as coisas que fazemos, entendeu?
-Entendi.
Fiquei observando aquela pouca coisa, que revirava o brinquedo entre os dedos, com os olhos distantes e tentava imaginar a que distância era capaz de ir o pensamento de uma menininha daquele tamanho, até onde aquela mente alcançaria e o que exatamente ela estaria pensando naquele momento.
-Mãe, posso te pedir a bênção?
-Mas agora?
-É, mamãe.Agora.
-Pode, meu anjo!
-A bênção, mamãe.
-Deus te abençoe, filha.
-Mãe?
- Oi.
-Sabe o que eu to pensando ?
-Não, o que você está pensando?
-Você é uma mãe feita com muito esmero.
O casal sentado na mesa ao lado, não se conteve. No sábado da mesma semana, publicou no jornal da cidade um texto contando o acontecido.
Não sei se ainda tenho guardado, mas prefiro a minha versão e falar sobre isso me inunda de orgulho e felicidade...
( Filha, essa foi pra você , que como uma pisciana infinitamente carente, me cobrou que eu falasse mais de você por aqui.)
Te amo.
E estávamos num restaurante da cidade onde íamos todas as quintas-feiras para comermos, rirmos , nos reunir com os amigos e cantar no karaokê, coisa mais gostosa do mundo, que não sei por qual razão caiu em desuso.
Ela corria pra tudo quanto é canto, e como se cansou, pediu que fôssemos embora.
-Não vamos não! Tá cedo ainda e hoje é meu dia de brincar!
Ela olhou bem pros meus olhos e sorriu. Ela me via. E conhecia muito bem a menina que vivia brincando com ela, toda suja de terra e areia e cheirando a biscoito, que só ia embora quando a mãe tinha que entrar em cena.
Alguém me pediu pra cantar duas músicas. Lembro-me que eram “Asa Morena” e “Foi Deus que fez você”.
Reparei enquanto cantava, que ela parou , assim, com um brinquedo nas mãos e ficou me observando.
Quando terminei, fui ter com ela.
Sentei no chão, como costumava fazer naquela época, para estarmos sempre no mesmo nível , desprezando os olhares de estranhamento que as pessoas ditas normais lançavam sobre nós e ignorando o que pensavam a meu respeito, pois sei que pensavam. Sempre pensam.
-Mamãe, canta a múzca da casa?
-Agora mamãe já cantou 2 músicas, vamos esperar as pessoas cantarem e logo logo eu canto, ok?
-Então fica na fila.
-Não precisa, meu anjo.
Chegou minha vez, e antes de cantar, eu disse:
-Essa música vai para a pequena criatura que é dona da minha casa, a Princesinha do meu castelo!
Cantei e voltei a ela:
-Pronto, gostou? Eu cantei só pra você!
-Mãe, o que significa “esmero” ?
Explicar certas palavras a uma criança requer uma certa sabedoria...Pensei, analisei a idade mental e cronológica, e disse:
-Esmero significa cuidado, atenção, capricho! Sabe quando a mamãe te diz pra escrever mais redondinho, mais caprichadinho?
-Sei
-Sabe quando você vai pintar um desenho e te falo pra tomar cuidado pra não pintar pra fora do contorno?
-Sei
-Então. Tudo isso é esmero! É ter atenção e carinho com as coisas que fazemos, entendeu?
-Entendi.
Fiquei observando aquela pouca coisa, que revirava o brinquedo entre os dedos, com os olhos distantes e tentava imaginar a que distância era capaz de ir o pensamento de uma menininha daquele tamanho, até onde aquela mente alcançaria e o que exatamente ela estaria pensando naquele momento.
-Mãe, posso te pedir a bênção?
-Mas agora?
-É, mamãe.Agora.
-Pode, meu anjo!
-A bênção, mamãe.
-Deus te abençoe, filha.
-Mãe?
- Oi.
-Sabe o que eu to pensando ?
-Não, o que você está pensando?
-Você é uma mãe feita com muito esmero.
O casal sentado na mesa ao lado, não se conteve. No sábado da mesma semana, publicou no jornal da cidade um texto contando o acontecido.
Não sei se ainda tenho guardado, mas prefiro a minha versão e falar sobre isso me inunda de orgulho e felicidade...
( Filha, essa foi pra você , que como uma pisciana infinitamente carente, me cobrou que eu falasse mais de você por aqui.)
Te amo.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
CHICO
“A história de um homem não cabe em um filme”
Ontem finalmente assistimos Chico Xavier.
O filme já começa quebrando tudo.
Vemos uma criatura que caminha entre dois mundos com a maior naturalidade que lhe é possível. Recebe
o carinho da mãe falecida, e por ser muito menino, sofre com as agruras da difícil vida que leva e o tormento que é ter um dom e não saber o que fazer com ele.
Sempre foi incompreendido, criticado , zombado, tendo que exercer desde muito cedo, o difícil exercício da humildade.
O filme não tem a pretensão de arrebatar novos seguidores da doutrina espírita, nem de provar nada a ninguém. Nem mesmo Chico teve essa pretensão.
Sua vida foi pautada por sacrifícios.Um homem que renunciou a própria vida pelo bem do seu próximo. Um homem que não cabia dentro de si.
A espiritualidade de Chico lhe era algo tão inerente, que ele não teve escolhas. E mesmo que tivesse, não teria pensado nelas.
Mais do que qualquer coisa, o filme fala do poder transformador da bondade, do exercício quase físico da humildade, de ver no outro, o melhor que reside nele.
Chico Xavier era luz e caridade.
Uma coisa que a gente vê e se emociona.
Mas muita gente com certeza vai criticar o filme. Afinal, a gente olha, e ao analisar, inevitavelmente concluímos que somos criaturas cheias de falhas, orgulho, soberba, amor próprio exacerbado, sempre pensando que devíamos ter mais do que temos, sempre pensando que nossa dor é maior que a do nosso irmão, sempre nos julgando sim, melhores que os outros.
Chico era um guia espiritual, um facho de luz em meio às trevas. Um ícone, incomparável.
Mas porque não concluir que cada um de nós tem em si a capacidade para exercitar o bem?
Infelizmente é mais fácil venerar o brilho do diamante lapidado do que lapidar a pedra bruta em nós.
Assistir Chico Xavier faz com que reflitamos o quanto é necessário nos reconstruirmos todos os dias e sempre mais e mais. Nos faz pensar na capacidade que existe dentro de cada um de nós de sermos melhores, de praticarmos o altruísmo, de ver a beleza em todos os lugares, mesmo onde ela não exista.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
LIGA, LULA!
EI, VOCE QUE ENTROU AQUI PRA LER ALGO LEGAL OU SÓ PRA XERETAR, APROVEITE E PRA NAO PERDER A VIAGEM, ADICIONE VOCÊ TAMBÉM ESSE LINK NO SEU BLOG, NO SEU JORNAL, NA SUA COLUNA, NO SEU TWITER, NO SEU ORKUT, NO SEU MSN! SOMOS TODOS ORGÃOS DE UM MESMO CORPO, SOMOS TODOS FILHOS DE UM MESMO DEUS, SOMOS TODOS MORADORES DE UM MESMO PLANETA.
ESSE MUNDO, É NOSSO! TOMEMOS POSSE DELE!
O HOMEM NAO SABE A FORÇA DE UMA CORRENTE.
É LEGAL FALAR DE VIAGENS E FESTINHAS, MAS A VIDA É MUITO MAIS QUE ISSO.
VAMOS, DEIXE DE BOBAGEM, JUNTE-SE E MOSTRAREMOS DO QUE SOMOS CAPAZES.
EU AINDA NAO PERDI A FÉ NA HUMANIDADE.
SERÁ QUE DÁ PRA CONTAR CONTIGO?
quinta-feira, 22 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
FLORES PARA MINHA AVÓ
Um velório de alguém querido, numa tarde praticamente sem sol e eu com uma malha fina, despreparada para a mudança de temperatura.
À noite, ao retornar pra casa, sentia o corpo dolorido, a cabeça pesada e não tinha ânimo sequer para tomar um banho quente, um bom analgésico e me deitar embaixo das cobertas.
Criei forças e entrei no chuveiro , afinal, banho é um dos maiores luxos que desfrutamos sem nem ao menos nos darmos conta .
Entrei embaixo das cobertas e comecei a chorar.
Ele ficou preocupado, quis saber o que se passava, afinal eu não ia chorar por sentir frio ou dor de cabeça.
-Eu quero a minha avó. Não quero que ela morra, não quero...
-Mas sua avó está bem, Xú!
-Não, ela está velhinha e logo vai embora, eu sei...
-Não, Xuxú, sua avó é forte, espere aí que vou te preparar um leite quente.
Lembro de tudo, toda a minha vida foi permeada por ela e por meu avô.
Desde que minha memória consegue alcançar, lembro -me que dormia com ela, em sua enorme cama de imbuia toda trabalhada em rococó.
Acordava-se cedo, vovô ia cuidar dos pescadores, abrir as peixarias, levar peixes pro Ceasa...
EU sempre acordava junto e pedia que ele me trouxesse uma asa de anjo, para que eu pudesse enfim voar. Mas ele sempre enfrentava contratempos espetaculares e nunca conseguia comprar a tal asa.
E para me consolar da falta de asas, ela me trazia o leite na cama.
Se eu tinha tosse, lá ia ela, preparar o leite quente com açúcar queimado...
Quando eu tinha algum desarranjo, (hoje chama-se virose), ela fazia purê de batata e se eu não queria comer coisa alguma, ela preparava aquela panelada de costelinha de porco , arroz, feijão e batata frita.
E tinha uma panela preta, que não sei explicar como é que era, mas eram dois lados que se encaixavam e lá ela colocava pão com manteiga e ficava virando a panela de um lado pro outro, de modo que o pão ficava uniformemente torradinho.
Pão torrado com café preto.
Bolinho de chuva. EU ficava sentada, olhando extasiada, como pode ela ter aprendido essa mágica de fazer uma coisa virar outra? Aí, como se já não estivesse bom, ela jogava açúcar e canela por cima. Nem precisava chover... Era lá, o meu paraíso, o meu lugar de paz...
Ela fumava cigarro de palha. ...Esses dias fui ao mercadão e senti o cheiro de fumo de corda.
O cheiro da minha avó!
Cheiro é uma coisa incrível, né? Cheiro nos transporta!
Eu tinha bronquite e algum cabra desses bem safados, inventou de dizer que gordura de capivara curava qualquer bronquite. Tinha que ser dado pela manhã, junto com um pouco de café,que era pra ” enganar o gosto da gordura”. Como se alguma coisa no universo tivesse esse poder, de enganar o gosto da tal da gordura de capivara. Esse foi um dos motivos de eu não gostar de acordar cedo. Na verdade, eu queria era não ter que acordar nunca, pois acordar estava diretamente ligado àquele copo enorme de café com capivara. Mas como não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe, finalmente foi proibida a caça às capivaras e aquele foi um dia de festa, uma festa dentro de mim!!! Mas de todo modo, nunca mais tive bronquite.
Um dia, eu estava muito doente, (eu sempre estava doente, repare) com pouco mais de 6 anos, e lembro que por causa da nefrite, fiquei meses e meses sem comer sal e proteína. Fomos para uma cidade vizinha, maior e com mais recursos que a nossa, levar os exames pro médico ver. Ele leu tudo e me perguntou:
-O que você mais gostaria de comer agora?
-Carne de porco e batata frita e coca cola e sorvete de chocolate e Milk shake só se for servido naquele copinho que tenho da festa do sorvete.
-Só isso?
-Só.
Ele olhou pra elas e disse:
-Levem ela pra casa, e deixem que ela coma tudo o que tiver vontade de comer. É só isso o que vocês podem fazer por ela.
Acho que médico pensa que criança é tonta, né? Claro que entendi o que aquilo queria dizer. Mas não deixei de ficar feliz pela possibilidade de sentir o gosto da carne, da batata e da coca cola mais uma vez que fosse.
Enquanto minha mãe tentava disfarçar algumas lágrimas, minha avó se levantou, olhou pro relógio e disse:
-É cedo ainda. Saindo daqui agora, em duas hora estaremos em Bauru, e lá conheço um médico ótimo. Vamos, se levantem, temos que ir!
E foi assim que ela salvou minha vida.
Salvou a mim, amparou suas filhas, seus genros, seus netos....tooodos eles, todos!
Meu avô não teria conseguido passar a vida ao lado de uma mulherzinha. Tinha que ser exatamente como ela era, a fortaleza inabalável que ela era,uma mulher que não se enjoa e nem se cansa, pra poder fazer par com ele.
Verdadeiros Lampião e Maria Bonita de minha vida.
Ela, junto a ele, foi envelhecendo sem que déssemos conta disso.
Lembro de como era engraçado ficar naquele sofá da sala entre os dois, ouvindo a conversa acerca dos programas de TV. Ela explicava uma coisa, e apontava pra TV com aquele dedo indicador torto por causa da artrite , e conforme apontava pra TV, seu dedo indicava a porta da rua. Ele olhava, olhava, e como não ouvia direito, menos ainda entendia quando ela falava olhando pra TV e apontando pra porta da rua. Era um diálogo engraçadíssimo.
Ela se aborrecia por ele não entender e ele se aborrecia por ela não explicar direito.
-Você tá surdo, Américo!
-Pois deixa de ser besta, mulé!
-Eu to falando do Silvio Santos, olha na Mao dele, o maço de dinheiro!
-E eu to olhando! Lá fora, não tem nenhum verdureiro! Aaaaaara !Deixa de ser abestada!
-Seu avô tá caduco, tá vendo?
Eles se amavam tanto...Agora entendo isso. Ninguém consegue ficar uma vida toda junto, brigando, discutindo, divergindo, e sempre, sempre juntinho um do outro se não tiver amor demais.
Foi difícil pra ela. Muito mais pra ela do que foi pra todos nós, quando ele partiu.
Mas como não se tem outro jeito, ela continuou vivendo...
Hoje ela já não fuma mais seu fumo de corda, anda muito pouco e usa fraldas.
Todos nós juntos nunca daremos conta de fazer por ela , oque ela fez por cada um de nós.
Se eu choro? É claro que choro.
Estamos longe uma da outra e queria poder segurar suas mãos, como ela segurou as minhas.
E ainda queria ouvi-la dizer que pra tudo dá-se um jeito.
Queria poder mergulhar no seu mundo de contos e histórias de comadre e bolinhos de chuva e esquecer de tudo!
Como posso não chorar, sabendo que um dia ela não estará mais por aqui?
Ah, minha vozinha, essas linhas são pra você. Pra ficar registrado o quanto eu te amo.
Eis aqui as minhas flores pra senhora.
Receba-as e sinta seu perfume agora, que ainda estamos todos aqui.
Porque depois que você se for, eu não terei mais inspiração e
Sei que vai demorar muito pras flores voltarem a crescer no meu jardim...
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Tróia
Lívia está crescendo, e em meio a tantas dificuldades que permeiam educar sozinha uma filha de 11 anos de idade, vejo que existem também, momentos que compensam tudo.
Assistimos Tróia .
Ela, pela primeira vez, pelo interesse aguçado pelo professor de história.
Descobri que temos mais em comum do que o gênio indomável , alguns traços na face e o jeito de chorar.
Ela também sucumbiu ao caráter e a hombridade de Heitor .
Viu em Páris um menino mimado e apaixonado e em Aquiles, nada que vá muito além da beleza de Brad Pitt, que até então, ela, menina, ainda não havia observado.
A morte de Heitor, teve para ela, o mesmo pesar que carreguei comigo a vida toda. Creio ter sido o meu primeiro entendimento de que nem sempre o justo vence e que a Lei do mais forte, muitas vezes prevalece e que a vida é assim e pronto.
Sempre quis poder reescrever a história, ver Tróia inteira, em paz.
Penso que o universo precisa e sempre precisou de trégua, de um pouco de compreensão.
Guerra leva a Guerra, ódio gera ódio. São sentimentos cumulativos.
E afinal, não existe nenhuma Helena que justifique tanta desgraça, tanta dor , tanta morte e devastação.
Dez anos de guerra por causa de uma mulher, do orgulho ferido de um Menelau que não sabe perder e não sabe que amor, não se exige, não se compra. Amor se conquista, amor é algo que flui, ou não (apesar de sabermos que não se guerreou por 10 anos pela mulher de Menelau e os interesses pelo poder sobrepujaram o amor).
Aquiles , filho da deusa Tétis, que ao nascer teve seu corpo mergulhado e segurado pelos pés no rio Estige, é invulnerável. Algo como um troglodita semi-deus.
Heitor, um simples mortal, como eu e você. Porém, a meus olhos e também aos da Livia, o nosso herói. Irmão de Páris, que encaixa-se completamente na frase: O duro é roubar e não poder carregar.
Nessa história, a mais emblemática que tenho conhecimento, o amor de Páris e Helena perdem o foco e ele se volta justamente para a Batalha entre Aquiles e Heitor.
O primeiro, mais do que vencer a Guerra, quer a cabeça de Heitor, o assassino de seu pupilo Pátroclo (sim sim, sim….Até tu, Aquiles???). Heitor, na verdade, matou Pátroclo pensando se tratar de Aquiles, aquela máquina de matar a quem Brad Pitt emprestou sua beleza e algum sentimento, o aniquilador sanguinário, ou ao mais bravo guerreiro grego de todos os tempos. Como meu leitor preferir classifica-lo. Eu gosto de pensar em Aquiles como um homem com algumas qualidades, mas que deixa a vaidade dominar sua existência. Aquiles nunca guerreou por um ideal, por um Rei, ou uma nação. Aquiles guerreava por si , por seus feitos, pela imortalidade do seu nome através da história.
Para vingar-se de sua viuvez , Aquiles mata Heitor e todos temos nosso coração aniquilado ao ver e rever sua morte, a humilhação de ter seu corpo arrastado diante de toda uma Tróia, a Tróia que Heitor sempre defendeu digna e bravamente. Troia se vê imobilizada diante da dor de ver seu filho mais honrado perecer de tal maneira.
Depois, vemos um Príamo, que deixa sua coroa e sua dignidade e vai a procura de Aquiles, pedir o corpo do seu filho de volta, para que sua alma possa fazer a travessia com dignidade.
Que história é essa, meu Deus…
Então estamos diante de um Aquiles novamente humano, entrega o corpo de Heitor a seu pai, que volta com seu filho nos braços, dando a ele a oportunidade de descansar em paz.
E mesmo assim, veja você, somos humanos mesmo! Quando Páris resolve fazer algo de útil nessa trama toda, além de comer sua Helena, atira a tão famosa flecha, que acerta o calcanhar, justamente o calcanhar de Aquiles, a pequena parte que não foi banhada pelo rio Estige e portanto, não estava protegida pelos deuses.
Sempre penso nisso e não entendo porque Tétis não o mergulhou no bendito rio segurando-o pela orelha ou pelos cabelos. Afinal, ninguém morre pq teve a orelha atingida. Desconfio que Tétis era loira…
Enfim, eis que tomba o gigante . E a gente lamenta sua morte.
Vai entender o ser humano….Acho que fomos criados para a vida, para o bem viver, para o perdão.
Ninguem devia morrer. Nem mesmo Aquiles.
Mas minha mais triste mágoa é pela morte de Heitor. Um homem que representa a figura extraordinariamente inspiradora de uma dignidade e humanidade comoventes.
Nenhuma outra historia reuniu tantas figuras arquétipas:
Príamo, o rei soberano, compreensivo e generoso.
Aquiles, sua bravura e sua vaidade indomável.
Heitor, e toda a sua dignidade e coragem.
Ulisses e sua astúcia e inteligência.
Agamenon e sua infinita prepotência.
Menelau e seu orgulho ferido, seu não-saber-perder.
Helena e sua beleza angelical e sedutora.
Páris e sua frivolidade.
Eis uma história atemporal, que discorre sobre personagens fantásticos que certamente existem, mesmo que em pequenas doses, em cada um de nós, e em todos os núcleos, seja hoje, ontem ou amanha.
Fico de fato feliz ao perceber que a preferência de minha filha recai sobre Heitor, me acalma a alma vê-la identificar em meio a multidão o que é um exemplo de coragem, “pois a coragem é característica humana por excelência sem a qual, nenhuma outra seria possível existir” (Aristóteles) .
Me deixa orgulhosa saber que ela compartilha comigo o mesmo pesar por Heitor: O simples mortal, o homem com seus valores, com sua coragem, o defensor de muralhas, o domador de cavalos, um herói sem artifícios.
Por que de Aquiles, esse mundo já está cheio.
domingo, 11 de julho de 2010
Opções
Eu conheço pessoas que amam sem nada pedir em troca.
Conheço irmãos que se abraçam, se beijam, e se querem um bem enorme
Conheço filhos que admiram os pais, embora os saibam com erros e imperfeições
Conheço homens fiéis e mulheres leais aos seus sentimentos
Conheço estranhos que dão de si mais do que conhecidos podem ser capazes de dar.
Eu conheço mães que abrem mão de suas vidas para criar seus filhos, e não se sentem mal por causa disso.
Conheço vários mundos e vários seres humanos e sei que existe um pouco de mim em todos eles: nos bons e nos maus porque ninguém é totalmente certo ou errado. Somos complexos demais para nos simplificarmos como mocinhos ou vilões, feios ou bonitos, morais ou imorais.
Eu conheço pessoas que adotam gratuitamente uma amizade e se dedicam a ela.
Conheço pessoas que se visitam, se fazem próximas
Conheço amigos que primeiro oferecem e depois nem se lembram de cobrar de volta
Conheço cães companheiros de uma vida toda
Eu conheço adultos que acreditam que existe sim um velhinho que no final do ano se esmera para dar presentes a quem não tem de quem recebe-los
Conheço crianças que aprenderam consigo mesmas a ser solidárias e a estender a mao ao amigo caído
Conheço famílias unidas que se respeitam e se admiram, que bebem, que dançam, que cantam e que riem, riem muito e são felizes
Conheço gente que se entende muito bem, embora sabendo que assim como ele, todos tem defeitos e imperfeições
Conheço vários mundos e vários seres humanos e pelo meu poder de opção,
Eu escolhi só falar dos bons, das coisas boas, da felicidade que eles podem proporcionar
Eu tenho escolhido viver pela paz, sem hipocrisia, sem falso moralismo e sem criticar ninguém.
Eu tenho entendido que apontar o defeito do outro, nunca me tornará melhor que ele
E que aquilo que não me serve, pode servir a outros e portanto, não deve ser depreciado.
Eu conheço vários mundos e vários seres humanos
E já vivi o bastante para entender que pra ser feliz de verdade,
Temos que saber fazer as escolhas e opções corretas.
E eu sempre optarei pelo lado bom que ainda resta em cada um de nós,
E pelas manhãs de domingo de sol, paz e poesia.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
PARA O HOMEM QUE AMO: (PORQUE ELE FAZ COM QUE EU SINTA UM ACRÉSCIMO DE ESTIMA POR MIM MESMA...)
"TINHA SUSPIRADO,
TINHA BEIJADO O PAPEL DEVOTAMENTE
ERA A PRIMEIRA VEZ QUE LHE ESCREVIAM
AQUELAS SENTIMENTALIDADES
E SEU ORGULHO DILATAVA-SE AO CALOR AMOROSO
QUE SAÍA DELAS.
COMO UM CORPO RESSEQUIDO QUE SE ESTIRA NUM
BANHO TÉPIDO
SENTIA UM ACRÉSCIMO DE ESTIMA POR SI MESMA
E PARECIA-LHE QUE ENTRAVA ENFIM NUMA
EXISTENCIA SUPERIORMENTE INTERESSANTE
ONDE CADA HORA TINHA O SEU ENCANTO DIFERENTE
CADA PASSO CONDUZIA A UM ÊXTASE
E A ALMA SE COBRIA DE UM LUXO RADIOSO DE
SENSAÇÕES.”
EÇA DE QUEIRÓS, ( O PRIMO BASÍLIO)
quinta-feira, 1 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
( Para minha irmã Daviane, com amor )
A HISTÓRIA DA GALINHA
Eu era pequena, mas já conhecia os 10 mandamentos e sabia que “não matar” , era um deles.
E sabia também ,que embora todos os meus dentes fossem ainda de leite, eu era uma mocinha, tinha que cuidar da minha irmãzinha. Não vou citar o nome dela aqui, porque não tenho a intenção de queimar o filme de ninguém!
No nosso quintal tinha algumas bananeiras, terra roxa, que com um pouco de água e imaginação , me davam deliciosos brigadeiros , algumas galinhas e pintinhos ciscando aqui e ali e o meu pé de goiaba. Não era Laranja Lima, mas eu conversava muito com ele, e passava mais tempo lá entre os galhos mais finos do que em terra firme.
Minha irmã nessa época era assim , vamos dizer...meio bobinha, pra não pegar muito pesado.
-Óia os pintinhooo!!!!!!!Túúúúúdo amaleliiiiinho!!!
-Não chega perto não que não pode!
-Pur que não pode?
-Porque o vovô falou que galinha fica brava quando tem filhinho e morde.
-Pur que morde?
-Porque ela pensa que a gente quer roubar os filhinhos dela e morde.
-Mas eu quero roubar . Mas é um só.
-Não pode.
-Pur que?
-Porque não .
Voltei pros meus afazeres sem nenhum estress ou preocupação. Estava tudo resolvido.
Além de cuidar da pequena criatura, ainda a eduquei. Eu era mesmo demais. Que orgulho sentia de mim mesma às vezes...
De repente, eu ouço aquela gritaria. Eu nem tinha virado as costas e a danada estava lá querendo seqüestrar o pintinho.
A cena era dramática: ela corria e gritava e conforme corria, seus cachinhos balançavam (sim, ela tinha cachinhos naquela época e seus cabelos não eram vermelhos não. Eram dourados!) e a galinha correndo atrás dela.
-Corre pra cá que eu te pego e você sobe na goiabeira comigo, corre!
Ela só gritava:
- AAAAAi Nossa Sinhora!!!!
Era uma patifinha mesmo. Eu avisei, eu expliquei! E até que tava engraçado aquilo.
De repente, a peste da galinha bicou a rendinha da calcinha dela.
Sabe aquelas calcinhas de antigamente, que na parte de trás tinha um monte de babadinhos franzidos? Pois era aquela calcinha que ela usava e conforme a galinha bicou, o babadinho foi se desfazendo. Parecia coisa de cinema. A galinha não abria mais o bico e quanto mais a dona da calcinha corria, maior ia ficando a rendinha.
Foi quando percebi que seria necessário uma intervenção .
Retirei o laço da verdade do bolso e comecei a rodopiar dentro dele. Um segundo e já não era mais eu.
Parti pra cima da galinha, e nada dela desistir. Rapidamente minha mente de Mulher Maravilha entrou em ação e fui em direção aos pintinhos, na genial intenção de distraí-la. Não surtiu enfeito.
Agora me digam: o que mais me restava? Era uma gritaria minha, da galinha e da dona da calcinha (que só sabia chamar por Nossa Senhora) , e nada de aparecer alguém. Mirei um pedaço de pau, que depois ninguém entendeu como eu consegui levantá-lo dado o meu estado de retirante desmamada e desnutrida.
Mas ninguém sabia da minha identidade secreta!! e eu jamais poderia revelá-la a ninguém...
O fato é que quando corri em direção a elas, a criatura da frente parou , provavelmente cansada, no canto do quintal , abaixou-se de costas pro mundo, colocou as mãozinhas na cabeça e dizia: AAAAAAi, Nossa Sinhora, ai Nossa Sinhora!
Foi quando cometi meu primeiro assassinato. Matei a galinha a pauladas.
Segundo minha bisavó, nem pra assar , teve jeito.
É que me empolguei, e fiquei tão feliz com o silêncio da galinha, que continuei batendo. Só ouvia o “AAAi, Nossa Sinhora”, que ainda levou um certo tempo pra parar.
É claro que depois de tudo resolvido, chega a tropa de choque:
-Maaaar miniiiiiina, o que é que tu fez com a galiiiiiiiinha?? ÔÔÔÔ judiaçããããão!
-Valha-me Nossa Senhora! Matou-se!
-Não, bisa! Eu que matei.
-AAAi, Nossa Sinhora...
-Mas pru causa de quê você fez uma desgracêra dessa com a bichinha, filha? Galinha não faz mal pra ninguéém!!
-AAAAAi Nossa Sinhora!
-O que é que essa menina tá fazendo agachada no canto com as calcinha tudo rasgada e não para de falar Ai Nossa Senhora?
-Oxenti, que é o fim do mundo. A menina matou a galinha....
-Hômi, rapáiz, uma galinha tão gorda...tão bunita.....
Olha, demorou foi muito tempo pra todos entenderem que eu não era a vilã e sim, a salvadora, a Mulher Maravilha de bota vermelha, capa dos Estados Unidos, diadema e braceletes em punho. Até pensei em lançar mão do laço da verdade a fim de que a pequena contasse ,enfim, como tudo aconteceu, mas não obtive sucesso. Ela só sabia mesmo dizer:
-Aaaaaai, Nossa Sinhora....
Depois de tudo passado, fui recebida não como heroína, mas como a menina que defendeu a irmãzinha mais nova. Achei um pouco injusto, afinal, o ato foi heróico, digno de Diana Prince .
Mas fico feliz em pensar que de tanto gritar por Nossa Senhora, pelo menos evangélica, aquela criatura não virou. Dos males, o menor !
Eu era pequena, mas já conhecia os 10 mandamentos e sabia que “não matar” , era um deles.
E sabia também ,que embora todos os meus dentes fossem ainda de leite, eu era uma mocinha, tinha que cuidar da minha irmãzinha. Não vou citar o nome dela aqui, porque não tenho a intenção de queimar o filme de ninguém!
No nosso quintal tinha algumas bananeiras, terra roxa, que com um pouco de água e imaginação , me davam deliciosos brigadeiros , algumas galinhas e pintinhos ciscando aqui e ali e o meu pé de goiaba. Não era Laranja Lima, mas eu conversava muito com ele, e passava mais tempo lá entre os galhos mais finos do que em terra firme.
Minha irmã nessa época era assim , vamos dizer...meio bobinha, pra não pegar muito pesado.
-Óia os pintinhooo!!!!!!!Túúúúúdo amaleliiiiinho!!!
-Não chega perto não que não pode!
-Pur que não pode?
-Porque o vovô falou que galinha fica brava quando tem filhinho e morde.
-Pur que morde?
-Porque ela pensa que a gente quer roubar os filhinhos dela e morde.
-Mas eu quero roubar . Mas é um só.
-Não pode.
-Pur que?
-Porque não .
Voltei pros meus afazeres sem nenhum estress ou preocupação. Estava tudo resolvido.
Além de cuidar da pequena criatura, ainda a eduquei. Eu era mesmo demais. Que orgulho sentia de mim mesma às vezes...
De repente, eu ouço aquela gritaria. Eu nem tinha virado as costas e a danada estava lá querendo seqüestrar o pintinho.
A cena era dramática: ela corria e gritava e conforme corria, seus cachinhos balançavam (sim, ela tinha cachinhos naquela época e seus cabelos não eram vermelhos não. Eram dourados!) e a galinha correndo atrás dela.
-Corre pra cá que eu te pego e você sobe na goiabeira comigo, corre!
Ela só gritava:
- AAAAAi Nossa Sinhora!!!!
Era uma patifinha mesmo. Eu avisei, eu expliquei! E até que tava engraçado aquilo.
De repente, a peste da galinha bicou a rendinha da calcinha dela.
Sabe aquelas calcinhas de antigamente, que na parte de trás tinha um monte de babadinhos franzidos? Pois era aquela calcinha que ela usava e conforme a galinha bicou, o babadinho foi se desfazendo. Parecia coisa de cinema. A galinha não abria mais o bico e quanto mais a dona da calcinha corria, maior ia ficando a rendinha.
Foi quando percebi que seria necessário uma intervenção .
Retirei o laço da verdade do bolso e comecei a rodopiar dentro dele. Um segundo e já não era mais eu.
Parti pra cima da galinha, e nada dela desistir. Rapidamente minha mente de Mulher Maravilha entrou em ação e fui em direção aos pintinhos, na genial intenção de distraí-la. Não surtiu enfeito.
Agora me digam: o que mais me restava? Era uma gritaria minha, da galinha e da dona da calcinha (que só sabia chamar por Nossa Senhora) , e nada de aparecer alguém. Mirei um pedaço de pau, que depois ninguém entendeu como eu consegui levantá-lo dado o meu estado de retirante desmamada e desnutrida.
Mas ninguém sabia da minha identidade secreta!! e eu jamais poderia revelá-la a ninguém...
O fato é que quando corri em direção a elas, a criatura da frente parou , provavelmente cansada, no canto do quintal , abaixou-se de costas pro mundo, colocou as mãozinhas na cabeça e dizia: AAAAAAi, Nossa Sinhora, ai Nossa Sinhora!
Foi quando cometi meu primeiro assassinato. Matei a galinha a pauladas.
Segundo minha bisavó, nem pra assar , teve jeito.
É que me empolguei, e fiquei tão feliz com o silêncio da galinha, que continuei batendo. Só ouvia o “AAAi, Nossa Sinhora”, que ainda levou um certo tempo pra parar.
É claro que depois de tudo resolvido, chega a tropa de choque:
-Maaaar miniiiiiina, o que é que tu fez com a galiiiiiiiinha?? ÔÔÔÔ judiaçããããão!
-Valha-me Nossa Senhora! Matou-se!
-Não, bisa! Eu que matei.
-AAAi, Nossa Sinhora...
-Mas pru causa de quê você fez uma desgracêra dessa com a bichinha, filha? Galinha não faz mal pra ninguéém!!
-AAAAAi Nossa Sinhora!
-O que é que essa menina tá fazendo agachada no canto com as calcinha tudo rasgada e não para de falar Ai Nossa Senhora?
-Oxenti, que é o fim do mundo. A menina matou a galinha....
-Hômi, rapáiz, uma galinha tão gorda...tão bunita.....
Olha, demorou foi muito tempo pra todos entenderem que eu não era a vilã e sim, a salvadora, a Mulher Maravilha de bota vermelha, capa dos Estados Unidos, diadema e braceletes em punho. Até pensei em lançar mão do laço da verdade a fim de que a pequena contasse ,enfim, como tudo aconteceu, mas não obtive sucesso. Ela só sabia mesmo dizer:
-Aaaaaai, Nossa Sinhora....
Depois de tudo passado, fui recebida não como heroína, mas como a menina que defendeu a irmãzinha mais nova. Achei um pouco injusto, afinal, o ato foi heróico, digno de Diana Prince .
Mas fico feliz em pensar que de tanto gritar por Nossa Senhora, pelo menos evangélica, aquela criatura não virou. Dos males, o menor !
quarta-feira, 16 de junho de 2010
MANDELA
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Um dia desses eu discutia com alguém sobre Mandela. Falava da minha admiração pelo homem que ele foi e ainda é. A pessoa tinha um discurso que eliminava qualquer tentativa de argumentação:Trata-se de um terrorista. Matou em nome de um ideal e nenhum ideal vale uma vida.
Não vou discorrer sobre o tema, porque todos temos o direito da livre expressão e de termos e conservarmos nossa própria opinião sobre todos os fatos.
Só penso que não se faz a omelete sem quebrar alguns ovos. Mas se esses ovos forem quebrados por um negro, em pleno apartheid, isso fará dele um terrorista, é óbvio. Só que terroristas, não são respeitados. Terroristas não costumam receber o premio Nobel da Paz.
Nelson Mandela é uma referência . Sua incansável luta contra o Apartheid , à segregação e ao preconceito, buscando sempre a igualdade entre todos, transformaram-no no político com a maior autoridade moral não só no continente africano, mas em todo o globo terrestre.
Um homem que dispensa comentários.
Ontem tive a oportunidade de assistir Invictus, que conta a história de como Nelson Mandela, após 27 anos de prisão, recém eleito presidente da África do Sul, utilizou a Copa do Mundo de rúgbi em 1995 para conquistar a simpatia de uma nação pela causa de uma democracia multirracial .
A origem do titulo do filme é o nome de um poema de Willian Ernest Henley, que para ele era como uma oração , dando força para que continuasse se levantando , todas as manhãs, durante não só os 27 anos de prisao, mas em todos os dias de sua vida.
Minha opinião sobre Mandela não se limita, é óbvio ao filme, mas tem a ver com a maneira como ele nunca, jamais se deixou derrotar, sobre a força que o manteve ereto diante de seus ideais e do modo como sempre, sempre procurou por em prática o espírito de igualdade entre seus semelhantes.
Algumas pessoas queridas sempre me dizem que falo pouco sobre os temas, que eu poderia explorá-los muito mais, mas não é essa minha intenção. Não pretendo me aprofundar além do necessário . Para mim, basta chamar a atenção dos que conhecem a história , ou despertar a curiosidade daqueles que não tem conhecimento sobre ela, para que não se perca nunca o hábito de discutirmos, não as pessoas ou seus atos, mas sim seus ideais .
Invictus
"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por minh’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Um dia desses eu discutia com alguém sobre Mandela. Falava da minha admiração pelo homem que ele foi e ainda é. A pessoa tinha um discurso que eliminava qualquer tentativa de argumentação:Trata-se de um terrorista. Matou em nome de um ideal e nenhum ideal vale uma vida.
Não vou discorrer sobre o tema, porque todos temos o direito da livre expressão e de termos e conservarmos nossa própria opinião sobre todos os fatos.
Só penso que não se faz a omelete sem quebrar alguns ovos. Mas se esses ovos forem quebrados por um negro, em pleno apartheid, isso fará dele um terrorista, é óbvio. Só que terroristas, não são respeitados. Terroristas não costumam receber o premio Nobel da Paz.
Nelson Mandela é uma referência . Sua incansável luta contra o Apartheid , à segregação e ao preconceito, buscando sempre a igualdade entre todos, transformaram-no no político com a maior autoridade moral não só no continente africano, mas em todo o globo terrestre.
Um homem que dispensa comentários.
Ontem tive a oportunidade de assistir Invictus, que conta a história de como Nelson Mandela, após 27 anos de prisão, recém eleito presidente da África do Sul, utilizou a Copa do Mundo de rúgbi em 1995 para conquistar a simpatia de uma nação pela causa de uma democracia multirracial .
A origem do titulo do filme é o nome de um poema de Willian Ernest Henley, que para ele era como uma oração , dando força para que continuasse se levantando , todas as manhãs, durante não só os 27 anos de prisao, mas em todos os dias de sua vida.
Minha opinião sobre Mandela não se limita, é óbvio ao filme, mas tem a ver com a maneira como ele nunca, jamais se deixou derrotar, sobre a força que o manteve ereto diante de seus ideais e do modo como sempre, sempre procurou por em prática o espírito de igualdade entre seus semelhantes.
Algumas pessoas queridas sempre me dizem que falo pouco sobre os temas, que eu poderia explorá-los muito mais, mas não é essa minha intenção. Não pretendo me aprofundar além do necessário . Para mim, basta chamar a atenção dos que conhecem a história , ou despertar a curiosidade daqueles que não tem conhecimento sobre ela, para que não se perca nunca o hábito de discutirmos, não as pessoas ou seus atos, mas sim seus ideais .
Invictus
"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por minh’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."
Assinar:
Postagens (Atom)















